Após deslizamento, moradores sofrem com incerteza sobre futuro

Famílias fazem vigília para proteger o pouco que sobrou de ladrões

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Drama. Maria Geralda mostra o que sobrou de sua casa enquanto aguarda solução
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Drama. Maria Geralda mostra o que sobrou de sua casa enquanto aguarda solução

“Pode ficar tranquilo”. Foi o que disse aos moradores um dos operários enquanto trabalhava na limpeza dos escombros das residências atingidas pelo desabamento de um barranco no aglomerado do Bodé, no bairro Célvia, em Vespasiano. Mas tranquilidade é a última sensação que as famílias atingidas poderão sentir, pelo menos por enquanto. A reportagem de O TEMPO esteve no local na tarde de ontem e encontrou casas cheias de lama, um barranco desabado coberto por lona, e famílias protegendo seus últimos pertences de ladrões.

Os atingidos reclamam que nem Defesa Civil nem a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) deram qualquer tipo de orientação sobe como a situação será solucionada. O laudo com as causas do acidente, prometido para ontem, também não foi divulgado devido às dificuldades de acesso aos imóveis.

Enquanto isso, os moradores se viram como podem. “Fui ajudar minha irmã a salvar as coisas que restaram, entraram na minha casa e levaram dois litros de gasolina”, conta a dona de casa Maria José Jesus Pereira, 35. O marido, jardineiro, guarda a gasolina em casa para abastecer as máquinas de cortar grama.

A confeiteira Daniela Roberto dos Santos, 38, também não está tranquila. Com a casa cheia de lama e entulhos, está dormindo com o marido e os filhos no bar da família. “Tenho uma menina de 2 anos. Ela viu um amigo nosso soterrado e agora não quer dormir em casa. Entra em casa e diz que ele está enterrado lá”, conta.

Dos oito cômodos da casa de Maria Geralda de Paula Nascimento, 54, sobraram apenas a cozinha e um quartinho, além do quintal. “Eu tinha acabado de reformar minha casa, só faltava meu quarto”, lamenta.

Fato. Essas e outras dez famílias foram atingidas na manhã de anteontem por um deslizamento de terra. Os moradores alegam que o acidente foi causado pelo rompimento de um cano da Copasa. A estatal prometeu fazer uma investigação. Segundo funcionários da empresa, a perícia para investigar as causas do acidente começou a ser feita na manhã do domingo, mas não havia acesso à área devido aos escombros.

Equipes de limpeza da Copasa estiveram no local ontem retirando os escombros para possibilitar os trabalhos dos peritos. O laudo está previsto para ser concluído hoje.

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