Licitação para revitalização do Anel inclui 60% da 1ª etapa

Trecho da prioridade 1 tem 8 km, mas concorrência a ser lançada contempla apenas 5 km da via

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Risco. Pedestres atravessam entre os carros porque não há passarela no local que registrou dez mortes por atropelamento no ano passado
Douglas Magno / O Tempo
Risco. Pedestres atravessam entre os carros porque não há passarela no local que registrou dez mortes por atropelamento no ano passado

Se dessa vez a promessa for cumprida, a recuperação dos primeiros 5 km do Anel Rodoviário de Belo Horizonte será licitada ainda nesta semana. A via não vê obras de ampliação há 35 anos, mas recebe 50 vezes mais veículos do que na inauguração, na década de 50. Diante deste cenário, começar os trabalhos ainda que num pequeno trecho – 20% do total – já é considerado um grande alívio. A execução pode representar redução de 40% dos acidentes. Em 2013, apenas entre as avenidas Pedro II e Amazonas, foram 1.290 colisões (em um total de 3.201). Ao todo, 35 pessoas morreram em toda a rodovia no ano passado.

O projeto executivo dividiu o Anel Rodoviário em quatro trechos prioritários. Ao longo de todo o percurso, estão previstas 50 intervenções como viadutos e trincheiras (ver arte na página ao lado). O objetivo é finalmente fazer com que a pista principal do Anel seja uma via expressa para longos trajetos, e os tráfegos curtos sejam feitos nas marginais ampliadas. Mesmo que ainda haja algumas incertezas, a expectativa é que as projeções para o trecho da ‘prioridade 1’ comecem no final de junho e virem realidade daqui a dois anos. Mas nem toda a extensão desse trecho será feita. O planejamento incluia 8,1 km, mas as obras vão ocorrer, por enquanto, em apenas 5,2 km (62,5%). Outros 2,9 km e o restante da rodovia (mais 19 km) vão esperar a conclusão de todo o projeto, prevista para dezembro. “Não significa que faremos uma etapa de cada vez. Vamos começando à medida que o dinheiro for liberado pelo governo federal. Tudo deve ficar pronto em cinco anos”, afirmou o diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas (DER-MG), José Élcio Monteze. Segundo o órgão, as pistas laterais serão construídas com piso de concreto, mas o pavimento da pista central ainda não foi definido. Para o especialista em estradas e engenheiro Silvestre de Andrade, o importante é que a obra comece. “Estamos precisando discutir o que ‘está’ sendo feito e não o que ‘vai’ ser feito. As etapas só não podem ser postergadas para que a via fique boa num trecho e obsoleta em outros”, destacou. Enquanto a obra toda não começa, conforme o especialista, reparos menores já evitariam acidentes, como a retirada de pontos de ônibus da pista central. Mas nenhuma obra do tipo está nos planos do governo. 

Perigo na Vila da Luz fica para última etapa 

 

A última fase de obras do Anel Rodoviário ocorrerá no trevo onde foi construído o aglomerado Vila da Luz há cerca de 20 anos. Os atropelamentos no local foram a causa de dez das 35 mortes na via em 2013. Radares estão sendo instalados no trecho como solução paliativa.

Para os que convivem diariamente com o perigo de atravessar entre os carros em alta velocidade, as obras seriam urgentes. “Essa promessa de obras é velha. Enquanto isso, vemos gente morrer atropelada aqui todo mês”, afirmou o dono de uma oficina José Teixeira, 57.

A barreira de proteção entre as pistas foi quebrada para dar passagem aos moradores. A tremedeira das casas e o barulho dos caminhões trafegando também já fazem parte do cotidiano daquelas pessoas.

A mãe do pedreiro José Geraldo da Silva, 44, foi uma das fundadoras da vila e uma das vítimas do Anel. Maria Alves de Souza morreu atropelada em outubro passado. “Ela já tinha sido atropelada em um acidente que matou quatro pessoas. Achei que dessa vez ela só tinha machucado de novo. Não acreditei quando a vi morta. Não temos sossego aqui”, contou Silva.

A diarista Aparecida Alves, 48, se arrisca na travessia do Anel com os filhos no colo pelo menos quatro vezes por dia. “O comércio e as escolas ficam do outro lado, não tem jeito. Esperamos sair daqui para um lugar melhor quando tiver a reforma. Até lá não temos para onde ir”, disse. 

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