A Faca e o queijo nas mãos

iG Minas Gerais |

Os três candidatos já declarados à presidência da Federação Mineira de Futebol (FMF) deveriam assumir tendo como prioridade número um: ampla discussão sobre os rumos do nosso futebol. Já passamos da hora de mudar a fórmula de disputa do campeonato estadual; a FMF nunca teve um programa de apoio ou revitalização dos clubes do interior. Tudo sempre gira em torno de Atlético e Cruzeiro, que, na verdade, são os que mandam na entidade, por tradição. No fim de cada campeonato dá o de sempre: os dois decidindo a disputa. Mas o pior não é isso, já que a superioridade deles lhes garante presença nas finais. O grande problema é que os clubes do interior, que antigamente revelavam bons jogadores, não têm mais esta condição. Nem tanto por culpa da Lei Pelé, que beneficia os empresários do setor, mas porque o calendário é perverso. A maioria só joga durante três meses durante o ano e fecha as portas, só reabrindo na véspera da temporada do ano seguinte. O medo de ser rebaixado os obriga a contratar veteranos que lhes garantam a permanência na Primeira ou Segunda Divisão. Sem revelar jogadores, não têm como ganhar dinheiro com a base, que antes era uma das principais fontes de sustentação deles.

Atrativos de menos. Sem apresentar novidades nas quatro linhas, os clubes do interior não atraem torcedores nem aos próprios estádios. A Globo paga R$ 5 milhões a Atlético e Cruzeiro; R$ 1 milhão ao América e R$ 300 mil aos coadjuvantes. Uma ciranda que se repete, com média de público cada vez menor, entediante. Fórmula ultrapassada, decadente e sem perspectivas.

Momento certo. A luz no fim do túnel é que a audiência do futebol está caindo em todo o país e a Globo está incomodada, e quer mudanças. O próximo presidente da FMF entrará com a faca e o queijo nas mãos e, se quiser, poderá fazer as mudanças necessárias. Óbvio que dialogando muito com os clubes do interior, com as partes sérias do setor e com quem dá palavra final: Atlético, Cruzeiro e a Globo.

É só jogar. Clima quente no início do clássico, com o América partindo para cima, do jeito que precisava. O Atlético veio com Guilherme no lugar de Ronaldinho, poupado para a Libertadores. O R10 certamente voltará a jogar bem. Sempre foi assim quando pressionado. Sabe que é só jogar a bola que tem para calar os críticos.

Com dignidade. O Boa foi ótimo adversário para o treino de luxo que o Cruzeiro fez no Mineirão. Jogou, deixou jogar, não abusou da violência e foi eliminado com dignidade depois de bela campanha no Mineiro. Não tomou nenhuma goleada e deu mostras que entrará forte na Série B. O América vencia por um a zero quando o horário exigiu que eu enviasse essa coluna.

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