Depressão afeta duas mulheres a cada homem

Patrícia Carvalho - Psicóloga do Centro Terapêutico Bem Querer

iG Minas Gerais | Aline Reskalla |

Patrícia Carvalho - Psicóloga do Centro Terapêutico Bem Querer
Bem Querer / Divulgacao
Patrícia Carvalho - Psicóloga do Centro Terapêutico Bem Querer

A depressão feminina chamou a atenção do mundo no último dia 17 de março, quando a bela e bem-sucedida namorada de Mick Jagger tirou a própria vida. Saiba mais sobre a doença.

Doença que cresce no mundo na mesma proporção que o estresse da vida moderna, a depressão será o principal mal do planeta em 2030, prevê a Organização Mundial da Saúde (OMS). E para cada homem deprimido, há duas mulheres sofrendo do mal, segundo a OMS. No último dia 17, o suicídio da namorada de Mick Jagger, a estilista e ex-modelo L´Wren Scott, trouxe o assunto à tona. Nesta entrevista, a psicóloga Patrícia Carvalho explica porque a doença ataca mais o público feminino e fala um pouco sobre a clínica inaugurada no último sábado, em Tiradentes (MG), voltada para elas. Por que as mulheres têm mais depressão que os homens? A literatura mostra que elas apresentam características bem específicas, que as tornam mais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psíquicos e comportamentais. As mulheres estão mais expostas a fatores estressantes incontroláveis em idade precoce, tais como abusos, estupros e violência. Outras peculiaridades femininas incluem gravidez ou infertilidade, depressão pós-parto, menopausa, regimes alimentares, ansiedade, alterações hormonais nos ciclos de vida e outros quadros emocionalmente difíceis, isso tudo aliado à pressão dos múltiplos papéis que lhe cabem na sociedade. Além disso, pesquisas apontam que 20% das mulheres a partir dos 30 anos têm hipotireoidismo, que causa depressão. Que dicas dar aos familiares para ajudá-los a identificar o comportamento de um deprimido? É importante notar as mudanças comportamentais, físicas e no humor, principalmente se persistirem por mais de uma semana. O isolamento, a irritabilidade ou expressões constantes de tristeza, alterações no padrão de sono e apetite, desinteresse ou afastamento de atividades de rotina ou de lazer, crises de choro ou negativismo persistente e generalizado podem ser sinais evidentes. O acolhimento e interesse da família e a procura do profissional para um diagnóstico em fase inicial podem fazer toda a diferença para o sucesso do tratamento. A família vê a pessoa nesse estado e quer que reaja, mas ela não consegue e os familiares se voltam contra o deprimido. Isso é regra? Não podemos estabelecer esse contexto como regra. No entanto, muitas vezes, com o aparecimento do transtorno, os conflitos familiares já existentes tendem a aumentar, já que ocorre um desajuste em todo o sistema familiar. A família, por falta de conhecimento da condição clínica e psicológica da doença, reage com frustração, ansiedade, medo, raiva e culpa e assume posturas e diálogos inadequados com a pessoa doente. Com isso surge um ciclo vicioso em que o quadro depressivo da pessoa vai piorando devido a falta de apoio e pressões familiares, e os membros da família vão se sentindo desgastados.

Por que segmentar por gênero o tratamento no novo centro terapêutico? O Bem Querer tem suas atividades voltadas para a saúde integral da mulher, com ênfase no tratamento da depressão e da dependência química. No entanto, atendemos outras especialidades associadas a transtornos de humor, tais como depressão pós-parto, transtorno bipolar em fase depressiva, angústia, fibromialgia e estresses. A escolha pelo gênero se fundamenta pela maior vulnerabilidade biológica, psicológica e social da mulher no desenvolvimento de transtornos psíquicos e as poucas oportunidades de tratamento especializado no Brasil.

Fale um pouco sobre o tratamento, como é o dia a dia na clínica. A mulher é acolhida sem perder a referência do contexto onde vive. Também seus familiares recebem a atenção e cuidados terapêuticos adequados. O Bem Querer construiu uma metodologia integrativa com um programa de tratamento que visa o menor tempo de internação e o maior tempo de acompanhamento terapêutico. São três modalidades: ambulatorial, permanência dia e residência terapêutica. A abordagem baseia-se na integração de técnicas da medicina convencional, das medicinas alternativas e complementares, da psicologia, da arteterapia e da terapia ocupacional.

Quanto custa um tratamento, em media, e quanto tempo dura? O tratamento é composto por etapas como acolhimento, avaliação, integração, apresentação do projeto terapêutico individual. O tratamento é definido de modo personalizado, então o custo é determinado a partir de uma avaliação criteriosa do programa apresentado ao paciente que poderá apresentar uma prévia da duração. O valor da avaliação feita por um psiquiatra, um clínico e uma psicóloga é de R$ 420.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave