“Coração a Batucar” é tradição revigorada

Cantora faz segunda incursão ao universo do samba, assinando também a produção

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

Versátil, Além de uma intérprete segura, Maria Rita faz ótimas escolhas como produtora do disco
vicente de paulo/ divulgação
Versátil, Além de uma intérprete segura, Maria Rita faz ótimas escolhas como produtora do disco

Maria Rita é uma artista privilegiada. Pode gravar Marcelo Camelo, Djavan e Arlindo Cruz sem dar a menor impressão desesperada de atirar para todos os lados. Sua voz embala com firmeza conteúdos que podem virar sucessos radiofônicos ou pérolas que, como cantou Sérgio Sampaio, podem remeter à “quinta faixa e o final da fita”.

Talentos da nova geração e da velha guarda querem ser gravados por ela, e isso não tem a ver necessariamente com o DNA (basta se lembrar que seus irmãos João Marcelo Bôscoli e Pedro Camargo Mariano não decolaram em suas carreiras). Nesses 11 anos de estrada, ela provou que é “mais ela” desde as sutilezas de suas escolhas a homenagens emocionantes à mãe, Elis Regina, uma das maiores lendas da MPB.

A cantora entra, mais uma vez, na cadência do samba com “Coração a Batucar” (em 2007, ela lançou “Samba Meu”, que venceu, entre outros prêmios, o Grammy Latino). “É uma relação íntima, genuína, espontânea e de longa data”, justifica.

Ao longo das 13 faixas, são evidentes tanto a fluência da cantora quanto uma interessante sonoridade de “ao vivo” no estúdio que possivelmente virou um terreiro. “Saco Cheio”, de Almir Guineto, que vai crescendo de maneira envolvente, é uma das amostras. Isso sem contar o ótimo recado: “Tudo o que se faz na Terra/ Se coloca Deus no meio/ Deus já deve estar de saco cheio”.

De Rodrigo Maranhão a Noca da Portela, Maria Rita recebeu de exímios compositores canções nunca gravadas para costurar no repertório de altíssima qualidade. Ela esteve à frente de todas as escolhas, pela primeira vez assina toda a produção do próprio disco (nos demais, foi coprodutora, como faz questão de ressaltar).

O ótimo feeling musical também poderia ser coisa da genética, já que ela foi criada pelo pai, o músico, maestro e arranjador César Camargo Mariano com quem mesmo antes de pensar em virar artista, aprendeu “toda a integridade profissional”. A cantora lembra que o pai nunca chegou a um show depois da passagem de som, o que a estimulou a entender a importância de acompanhar metodicamente todos os processos.

“Coração a Batucar” faz essa mistura. Se por um lado é um álbum com uma qualidade técnica irretocável até nas intencionais imperfeições para não soar assim tão asséptico, por outro, brinda o ouvinte com faixas extremamente caras. Um carinho dela com os compositores, com músicos e, especialmente, com o público.

A banda dá um show à parte. O guitarrista Davi Moraes, escolado na MPB, o baixista Alberto Continentino, um jazzista de primeira se juntam ao baterista Wallace Santo, ao tecladista Rannieri Oliveira e aos percussionistas Marcelinho Moreira e André Siqueira nessa reverência que esbanja vigor, com a direção musical do experiente Jota Moraes, o Jotinha. O samba é maioral em “Coração a Batucar”, em todos os sentidos.

Agenda

O quê. “Coração a Batucar”, de Maria Rita (Gravadora Universal Music)

Quanto. R$ 23,90

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