Onda ‘gourmet’ de rua

iG Minas Gerais | Renato Quintino |

Comida servida em traiiler é tendência no mundo inteiro
Renato Quintino
Comida servida em traiiler é tendência no mundo inteiro

A comida de rua, ou “street food”, é hoje uma forte tendência internacional e um sucesso em cidades cosmopolitas como Berlim e Londres, colocando por terra a máxima de que alguém passa mal porque comeu na rua.

Embora as locações sejam variadas, a comida de rua é, normalmente, servida em trailers, formato com vantagens em relação a um restaurante: a comida é mais “espontânea”, a louça não é chinesa, o garçom não usa luvas (aliás, não há garçons), o atendimento é personalizado e obedece à afirmação, comum na gastronomia, de que a qualidade e o sabor da comida são diretamente proporcionais à distância do fogão em que foi feita.

Nas mãos de muitos cozinheiros talentosos, a comida de rua é deliciosa, chegando a ser ousada e sofisticada. E não são apenas pratos simples. Muitos trailers, em grandes cidades e no interior de países desenvolvidos, servem de foie gras e trufas a carnes com cervejas belgas, vinhos na temperatura certa e sobremesas de qualidade. O articulista Jonathan Gold, da revista “Lucky Peach” (“Momonfuku”, em japonês, do chef David Chang), relata uma experiência de comer funghis porcinis frescos, recém-colhidos e grelhados num excelente azeite extravirgem com alho dos Pirineus.

Tendência

Preparar comida simples é, muitas vezes, o mais difícil. Percebe-se o talento de um cozinheiro ao se provar, por exemplo, o seu cachorro-quente: o ponto e o sabor do molho, a qualidade da salsicha e do pão e os detalhes das coberturas, como cebolas, temperos etc. Não é por acaso que um bom pão com salsicha, ou com linguiça, é um dos maiores hits internacionais da boa comida de rua no mundo inteiro.

Em Paris, hoje troca-se facilmente o tradicional crepe por merguez frites (comuns em Montmartre e no Marais), que é uma salsicha de cordeiro temperada com cominho e servida com harissa vermelha, dentro de um pão e com um topping de abundante batata frita). Em São Francisco (EUA), o danger dog é famoso por salvar, no fim de noite, quem bebeu um pouco a mais. O sundae (pronuncia-se “soon-dae”) é um clássico tanto na Coreia do Sul quanto na do Norte, assim como é o porilainen, na Finlândia, e o salchipapas, em Lima (no Chile).

Preferidos

O mesmo se pode dizer de boerewors, na África do Sul; moroccan merguez, no Marrocos; frikandel, na Holanda; sosika v teste, na Rússia e na Ucrânia; frankie, em Nova York (EUA), além do famosíssimo currywurst, de Berlim, do choripan, na Argentina, e do nosso brasileiríssimo cachorro-quente.

O respeitado Robert Sietsema, que foi crítico de gastronomia do “Village Voice” por 20 anos, afirmou que, embora tenha comido em centenas de restaurantes, nada o excitou mais em viagens pelo mundo todo que a comida de rua, sendo que alguns de seus restaurantes favoritos eram exatamente aqueles que replicavam essa comida, como em Singapura, Jacarta, Pequim, Puebla, Paris e Denver.

Suas dicas vão da cozinha do norte da China no Queens (NYC), Doubles, de Trindade; Fofu and Soup, de Chicago; Tiebou, do Senegal; o Pit Beef, de Baltimore; os Tacos Placeros, em Nova York; a Pizza de Nápoles; os Brinks, da Tunísia, e, também, o Choripan, de Buenos Aires.

Dos imensos e variados mercados de rua do Sudeste Asiático aos trailers, que hoje são sucesso na Inglaterra, a nova “street food” veio para ficar.

 

Receita

SANDUÍCHE MERGUEZ COM HARISSA Preparo: Numa grelha bem quente, coloque linguiças de cordeiro de qualidade e tempere com sal e pimenta-do-reino. Grelhe também chiabattas fatiadas até estarem crocantes. Pincele generosamente o pão com pasta de harissa (misto de especiarias do Norte da África, comuns também no sul da França, e disponíveis em bons supermercados), coloque as linguiças de cordeiro e guarneça com alface e picles (pode-se acrescentar pepino e cenoura). Por cima, coloque batatas fritas.  

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