Primo de operário morto no Itaquerão faz acusações

Para seu primo, Fabio Hamilton da Cruz não poderia estar trabalhando em uma altura elevada e responsáveis foram negligentes ao tentarem encobrir o acidente

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

A morte do operário Fabio Hamilton da Cruz está longe de uma solução. Neste domingo, o primo da vítima, Everson, não poupou críticas aos responsáveis pela obra da Arena Corinthians. Para ele, Fabio não poderia estar trabalhando em uma altura elevada - ele sofreu uma queda de oito metros, segundo a Fast, encarregada pela montagem das arquibancadas móveis. Além disso, Everson acusou os responsáveis de tentarem encobrir o acidente com plástico e areia.

"Ele não deveria estar nessa altura porque a profissão registrada dele é como ajudante. O encarregado da obra deveria estar olhando, acompanhando mais de perto. Foi um descuido dele. Antes da perícia chegar, os funcionários jogaram areia e pedaços de plástico para esconder o sangue. Não teve como fazer a perícia certa e os responsáveis da obra não deixaram ninguém dar entrevista", lamentou, revelando também um bônus oferecido aos funcionários para que eles terminassem a obra mais cedo.

"Ele trabalhava de segunda a sábado, mas eu fiquei sabendo que o patrão dele tinha oferecido R$ 3 mil para ele e os outros funcionários dividirem caso conseguissem acelerar a obra. Por isso ele iria começar a trabalhar de domingo a domingo", completou.

De acordo com Everson, de 29 anos, que trabalha como mecânico, o descaso da empresa responsável pela obra foi visto também durante o enterro de Fabio, no cemitério municipal de Diadema. "Eles não negaram ajuda, mas não deram a atenção devida ao caso. Eles arcaram com o caixão, mas não teve sequer uma coroa de flores. Nós da família que tivemos de fazer isso. Nessa hora, não tinha ninguém acompanhando. Só no final que alguns responsáveis pela obra chegaram", disse.

 

Ajuda nas despesas

Apesar de ter apenas 23 anos de idade, Fabio já trabalhava há algum tempo. Segundo Everson, ele já tinha feito trabalhos na rua, como ambulante e também tinha experiência em um lava-rápido antes de assumir um compromisso com a obra do estádio sede da abertura da Copa do Mundo. O dinheiro que ele recebia era utilizado para ajudar a sua família além de sua namorada.

"O salário dele era de cerca de R$ 1200. Ele estava feliz, estava até pensando em comprar uma moto ou um carro. Com esse dinheiro ele sustentava a mãe dele e também a namorada, que teve um filho recentemente e ele pretendia assumir a criança", disse.

Com a morte de Fabio, Everson não sabe como vai ficar a situação da família, mas cobra algum tipo de auxílio da responsável pela obra. "Eles têm de assumir a responsabilidade e ajudar a família. O acontecido foi lá dentro e a responsabilidade é deles", concluiu.

A reportagem entrou em contato com a Fast, que, por meio de sua assessoria, disse que o responsável pela construção das arquibancadas é a WDS Engenharia, contratada para a instalação das arquibancadas provisórias. A empresa, por sua vez, não atendeu as ligações.