Comprar na planta pode sair mais caro

Mercado de imóveis modifica tendência

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Razão. Pequena oferta de terrenos hoje não justificaria unidades em construção mais caras que prontas
Joao Godinho / O Tempo
Razão. Pequena oferta de terrenos hoje não justificaria unidades em construção mais caras que prontas

Comprar imóveis na planta em Belo Horizonte pode sair mais caro do que adquirir um pronto para morar. Além do risco de atraso, a opção por um imóvel que nem começou a ser construído pode acarretar prejuízos irreparáveis, caso construtora ou incorporadora decretem falência. O alerta parte do presidente da Comissão de Direito Imobiliário da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), Kênio Pereira.

Segundo Pereira, de cada cem imóveis vendidos hoje na capital, 85 são negociados na planta ou em fase de construção. A parca oferta de terrenos na capital mineira e a supervalorização dos que restam, ainda de acordo com o especialista no mercado imobiliário, não justificam a oferta de unidades ainda na planta pelo mesmo preço ou mais caros de um imóvel já finalizado.

“A lógica sempre foi outra. É o valor da unidade já pronta que define até quanto pode ser pago por um terreno”, diz Pereira. “Não há como o proprietário de um terreno exigir um valor exorbitante, pois atender sua ganância inviabiliza a venda das unidades e os construtores sabem disso, uma vez que eles pagam o valor justo pelos lotes”, completa ele.

Com casamento marcado para o fim de 2015, o advogado Luiz Felipe Barbosa, 30, e a fisioterapeuta Andréia Gonçalves Silva, 28, procuram há quatro meses um apartamento e constataram que o preço de imóveis na planta não difere tanto dos prontos para morar.

“A diferença mínima que encontramos nesse contexto é de 90%”, diz Barbosa, revelando que até mesmo a localização, o padrão e a área são bastante similares.

“Observamos essa situação até mesmo em imóveis da mesma construtora. Acho que valerá mais a pena comprar um pronto para morar”, constata.

Sem lançamentos. Os lançamentos em baixa, afirma Kênio Pereira, são o principal fator que leva as construtoras a não se preocuparem em vender de imediato as novas unidades. “Essa situação é estranha, pois os preços atualmente não estão subindo bem acima da inflação, como ocorreu no período de 2006 a 2011 e que gerou excelente lucratividade para quem investiu na planta naquela época”, acrescenta o especialista.

Atrasos

Estimativa. Segundo a CMI/Secovi, é difícil precisar a média de imóveis atrasados porque são dados das construtoras. A estimativa é de menos de 1/4 de imóveis com obras atrasadas em BH.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave