Um modelo a ser exportado

iG Minas Gerais |

Assim como outros colegas, Mark Mulley, 47, veio ao Brasil tocar na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (OFMG). O trombonista inglês está no conjunto desde sua estreia em 2008. Ao saber da seleção por meio de um amigo durante as suas férias, ele não titubeou e resolveu disputar uma vaga. Deixou a Orquestra Real Sinfônica, em Muscat, capital do Omã, onde trabalhou por oito anos, para viver aqui.

“Eu não sabia quase nada sobre Belo Horizonte. Colhi algumas informações no caminho e segui porque para mim era uma oportunidade, pois eu estava saindo do meu outro trabalho. Achei tudo muito diferente, mas ao mesmo tempo vi que era uma experiência revigorante, como são as novidades”, conta Mark Mulley.

Seis anos depois, a Filarmônica já não está imersa naquele quase anonimato. A visita frequente de diversos solistas internacionais, as turnês pelos Estados brasileiros e em outros países da América Latina vêm expandindo o reconhecimento do trabalho constantemente aclamado.

Isso vem acontecendo, segundo Fabio Mechetti, pelas escolhas que nortearam a criação da OFMG. Ele explica que diferentemente do estilo norte-americano, em que predominam investimentos privados, ou do método europeu, com foco no aporte público de recursos, a Filarmônica vem experimentando uma administração via o mecanismo de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

“O modelo que se baseia nessa parceria público-privada é algo único no mundo. Fora do Brasil, isso é raro. Nos Estados Unidos por uma questão, de repente até mesmo cultural, as duas coisas não se misturam. Na Europa, por outro lado, vem se experimentado isso agora”, observa o maestro.

Ele explica que nenhuma das formas de gestão estrangeiras têm se revelado bem-sucedidas no presente. Por isso a iniciativa daqui tem apontado rumos alternativos para outras praças. “Tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, têm havido um movimento contrário do que percebemos aqui. As orquestras estão indo à bancarrota. Ou seja, nem o investimento exclusivamente privado nem público tem conseguido dar conta de manter esses grupos. Têm sido comum na Europa as fusões de algumas formações eruditas na Europa, como na Alemanha, e o fechamento de outras, a exemplo do que acontece na Itália, na França e na Espanha”, diz o maestro.

Anfitriã do Seminário Internacional de Orquestra, que teve início na sexta-feira e será concluído hoje no Palácio das Artes, a Filarmônica junto com a Associação de Orquestras Britânicas promovem o evento que coloca esse tema em debate e visa justamente trocar experiências e práticas sobre os diversos projetos.

Ao representar a busca de saídas para um segmento que apesar da longa tradição também nota dificuldades para se manter na atualidade, o encontro deve gerar ações a serem desenvolvidas ao longo de 2014. Para Mechetti, o interesse estrangeiro nos bons resultados aqui avaliados revela o retrato do atual momento. “Agora seremos nós que vamos começar a mostrar o que deve ser feito para os países desenvolvidos, especialmente para alguns que estão petrificados na sua própria cultura e não conseguem enxergar o que está acontecendo fora dos grande centros”, conclui Mechetti. (CAS)

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