Trajetória da Filarmônica de Minas atrai novos músicos

iG Minas Gerais |

Nascida em Extrema, município localizado no Sul de Minas Gerais, Cássia Lima viveu grande parte da vida em São Paulo, onde se formou em música. Depois de uma temporada de cinco anos em Nova York, onde concluiu mestrado, a flautista integrou o elenco da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) antes de vir para a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (OFMG) em 2009.

De lá para cá, ela observa que o cenário para sua profissão mudou no país, com o crescimento de novas formações eruditas, delineando um movimento do qual a OFMG faz parte. “Eu percebo uma melhora muito grande no meio musical. Hoje nós temos várias iniciativas espalhadas pelo país e nesse contexto a Filarmônica exerce um trabalho importante e sério ao buscar ser algo de ponta”, diz Cássia.

O impacto disso, para ela, alcança diversas frentes. Uma delas está relacionada àqueles que frequentam as universidades e podem conceber a ideia de pleitear um ofício semelhante no futuro. “Para o estudante, essa é uma referência fundamental e também desafiadora. Em qualquer profissão você quer ser valorizado, e a Filarmônica aponta essa possibilidade, ainda que para se chegar lá seja necessário muita dedicação, disponibilizando diversas horas de estudos”, sublinha Lima.

O gaúcho Tiago Ellwanger, na Filarmônica desde 2010, compartilha da mesma opinião. Ele percebe que a profissionalização do meio tende a mostrar outros caminhos possíveis para os jovens músicos. “A Filarmônica, como a Osesp, mostram exatamente isso. Já tive alunos e colegas que questionavam: vou me formar em música para fazer o quê? Os que não queriam dar aula para crianças iam buscar uma carreira acadêmica. Agora essa realidade vem mudando”, afirma Thiago Ellwanger.

“Hoje em dia eu tenho alunos de violino que gostariam de tocar na Filarmônica ou em outras orquestras. Um tempo atrás, isso era muito raro”, acrescenta.

Um desejo é que à medida que as pessoas se tornem mais conscientes desses campos de atuação, cresça também os investimentos na formação dos músicos que buscam espaço em grupos orquestrais. O regente Fabio Mechetti observa que as universidades brasileiras ainda não oferecem uma qualificação completamente satisfatória. “Há um hiato entre a formação básica do músico e o aproveitamento dele profissionalmente. Aqui você tem as universidades, mas são raras as que possuem orquestras. Então, o músico carece de um treinamento específico”, explica o maestro.

De acordo com ele, isso fica claro durante as audições. “Às vezes, nós pedimos para um candidato tocar um solo e ele vai muito bem, mas quando é solicitado a tocar um trecho de obra para orquestra, parece outro músico. Não tem nenhuma ideia do tempo, da articulação, do estilo, justamente porque falta esse tipo de formação, o que é muito diferente dos Estados Unidos. Por isso, muitos deles buscam essa complementação de estudos lá fora”, relata Mechetti. (CAS)

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