Codinome: liberdade

Sigilo significava a diferença entre a vida e a morte de jovens militantes durante a ditadura

iG Minas Gerais | Humberto Santos |

“O golpe militar de 64 representou uma ruptura política nas instituições e na estrutura da sociedade brasileira. Deixou, além de marcas profundas em milhares de famílias, um alerta para que o radicalismo não se sobreponha ao diálogo, e que as diferenças, não importa quais sejam, não alimentem a intolerância”. - Marcio Araújo de Lacerda, prefeito de Belo Horizonte
“O golpe militar de 64 representou uma ruptura política nas instituições e na estrutura da sociedade brasileira. Deixou, além de marcas profundas em milhares de famílias, um alerta para que o radicalismo não se sobreponha ao diálogo, e que as diferenças, não importa quais sejam, não alimentem a intolerância”. - Marcio Araújo de Lacerda, prefeito de Belo Horizonte

Na luta contra o regime militar, encobrir a identidade era fundamental para garantir a sobrevivência. Usar nomes e documentos falsos, codinomes, códigos para conversas fazia parte do cotidiano de estudantes e trabalhadores que encaravam o enfrentamento da ditadura como a única opção para garantir o futuro do país. Muitos pagaram com a própria vida. Outros “desapareceram”, deixando suas famílias desoladas. Até hoje, já foram reconhecidas as histórias de 362 militantes nessa condição. Em Minas, 58 foram mortos ou “desaparecidos” pelo regime. Há ainda os que sobreviveram às torturas, agressões e prisão e continuaram a militar pelo Brasil. Cada um à sua maneira. Entre eles, há três mineiros que ocupam e já ocuparam cargos de destaque no comando do país. A presidente Dilma Rousseff, o ex-prefeito e ex-ministro Fernando Pimentel e o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, contam parte de suas histórias. Estudantes do Colégio Estadual Central, Dilma e Pimentel iniciaram lá a participação contra o regime. Os dois militaram no Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares. Pimentel foi preso em 1970 e solto três anos depois. Dilma também foi presa em 1970. A militante de codinome “Estela” ou “Vanda” foi torturada nos calabouços da ditadura em Juiz de Fora, Rio de Janeiro e São Paulo. Foi solta em 1972. Aluno de administração na UFMG durante a ditadura, Lacerda militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB) e na Aliança Libertadora Nacional (ALN). Em 1969 foi preso e ficou encarcerado por quatro anos. 

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave