Forever 21?

iG Minas Gerais |

O que faz uma pessoa ficar três horas em uma fila de uma loja de vestuário para pagar por suas compras? Um super produto? Nem tanto. Basta você ser infectado pela febre Forever 21. A marca fast-fashion americana que aportou no Brasil em março deste ano chegou causando comoção, com filas imensas à sua porta, lojas cheias, produtos sendo consumidos com voracidade. Nada como uma boa e estável campanha de comunicação e a entrega de produtos coerentes com o conceito difundido pela marca para o mercado de consumo fazer as caixas registradoras trabalharem. Ah, e o preço… Um preço extremamente apetitoso. Pode-se dizer que é um preço poucas vezes visto no Brasil, no mercado da moda. É inegável o poder de atração da Forever 21. Inúmeros consumidores brasileiros já a tem como objeto de desejo há algum tempo, antes mesmo da primeira loja abrir as portas por aqui. Bem-humorada, com um toque sexy e muito de um estilo de vida pseudodescolado, a marca é associada ao perfil dos jovens, que vêem no consumo uma saída para as angústias da idade, que procuram abrigo na afiliação a grupos sociais de pertencimento e como uma ferramenta que lhes permite a conexão com os padrões de aparência estabelecidos pelas celebridades das quais são fãs. Pelas mídias sociais pode-se rastrear as opiniões daqueles que estiveram nas lojas (SP e RJ), dos que almejam que uma filial seja aberta na sua cidade (ou vendas on-line), e daqueles que sugestivamente afirmam que todo esse tumulto por causa de roupas é uma grande besteira. O que é mais interessante, porém, é o fato de que um segmento bem-definido da população de jovens do Brasil conhece a marca americana e anseia por ela. A ponto de passar três horas em uma fila para pagar por produtos que não tinham nenhum caráter emergencial Existe nessa relação um segredo que vale a pena ser estudado. Qual é o benefício de uma roupa pela qual um consumidor passa três horas na fila do caixa e outros tantos enfrentam mil pessoas à sua frente para entrar na loja, como aconteceu na inauguração da loja do Shopping Morumbi em São Paulo? O preço, com certeza é atrativo, mas será que é apenas o preço? O que vale uma camiseta de R$ 8,90 se eu não preciso de uma camiseta? Ops! Mas quem disse que a moda é uma necessidade? Moda relaciona-se muito mais com o social, com a projeção de uma imagem, que se torna física através de modelos, estampas e marcas, do que com necessidade. Está na hora de voltarmos a atenção para a marca Forever 21 ou, em português, Para Sempre 21. O que esse nome subentende? Talvez a poção mágica da juventude eterna? O indomado frescor da mocidade? Porque o nome não é Forever 18? Talvez porque dezoito ainda não é a idade da maioridade, daqueles que já podem bater no peito e dizer: eu sou dono do meu nariz, frase tão almejada pela adolescência – grupo que hoje em dia inflou ao abrigar também os pré-adolescentes e os jovens adultos. Não é a toa que nas fotografias publicadas das filas no Rio e em São Paulo não encontramos apenas os famosos teens, mas também pessoas que já deixaram essa fase da vida há anos. É o testemunho de que, com o forever 21 da Forever 21, a marca mostra que sabe como jogar a sua rede. Mariana de Faria Tavares Rodrigues é mestre em moda, pesquisadora de história da moda, e docente no Centro Universitário UNA. Ela divide este espaço com Lobo Pasolini, Ludmila Azevedo, Silvana Holszmeister, Jack Bianchi e Tereza Cristina Horn

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