Carreira de vento em popa

Após sua estreia na TV, em “Cordel Encantado”, ator vem emendando uma grande sequência de trabalhos

iG Minas Gerais | luana borges |

Crescimento. Domingos Montagner não imaginava que teria uma repercussão positiva tão rápida na televisão
Luiza Dantas/CZN
Crescimento. Domingos Montagner não imaginava que teria uma repercussão positiva tão rápida na televisão

O jeito sério e tímido de Domingos Montagner logo se dissipa. Rapidamente, o ator se mostra simpático e apaixonado pelo que faz. O intérprete de Mundo, em “Joia Rara”, carrega a simplicidade de quem tem no circo uma de suas principais formações – além do teatro. “Não tenho uma escola formal, não fiz universidade de interpretação. Minha escola é a prática e os diretores do meu trabalho. O bom é que essa escola não termina nunca porque você sempre tem a oportunidade de conhecer outra pessoa”, avalia. E, em cerca de quatro anos de carreira na TV, ele já trabalhou com os diretores Marcos Schechtman, José Alvarenga Jr., Amora Mautner, Ricardo Waddington e Gustavo Fernandez. Justamente por se identificar tanto com o teatro e com o circo é que Domingos demorou para procurar a televisão. Depois de algumas participações, ganhou destaque em “Cordel Encantado”, de 2011, aos 49 anos. E, desde então, tem se mantido no ar com personagens de destaque, como o Zyah de “Salve Jorge”, ou protagonistas, como o Paulo Ventura da minissérie “O Brado Retumbante”, o segundo trabalho de relevância do ator. De acordo com ele, esta trajetória bem-sucedida o pegou de surpresa. “Acho que a vontade tão grande de trabalhar na TV e os anos que eu tinha de teatro se uniram para construir esse resultado positivo. Mas foi surpreendente porque teve um impacto muito rápido”, afirma. A sua primeira novela foi “Cordel Encantado”, de 2011, escrita pela dupla Thelma Guedes e Duca Rachid, com direção geral de Amora Mautner e de núcleo de Ricardo Waddington. O fato de ser a mesma equipe à frente de “Joia Rara” foi uma motivação a mais para esse trabalho? Sem dúvida. Foi um fator realmente relevante voltar a trabalhar com as autoras, com o núcleo do Ricardo, com a Amora e outros profissionais que trabalham junto com ela. Além disso, quando vi a sinopse, fiquei ainda mais empolgado porque era uma novela de uma época do Brasil que me encanta bastante. O papel também era muito bom, representava o núcleo dos trabalhadores, um dos mais importantes da história.  Na trama, Mundo passou por várias fases. Começou como líder sindical e se tornou político, por exemplo. Em que período o personagem exigiu mais de você como ator? O começo. Estabelecer o personagem é sempre o processo mais tenso da criação. Porque você imagina o personagem, começa a construí-lo e quando vai realizá-lo é que percebe se está correspondendo ao que você está imaginando. Concretizar o que você construiu de uma maneira abstrata é sempre o mais difícil. E o começo do personagem é muito significativo. Foi quando eu tive de estabelecer bem as características do Mundo, essa personalidade convicta, pragmática, extremamente radical nas suas ideias. Eu tinha de representar realmente um pensamento político que existia na época porque Mundo reflete um tipo de pensamento que foi responsável por modificar muitas coisas nesse país, principalmente em relação à classe trabalhadora. Depois que você estabelece o personagem, tem de prestar atenção nas mudanças que ele vai sofrer, o que é um outro processo. Desde “Cordel Encantado”, você engatou em uma sequência de trabalhos. Foi uma escolha sua se manter no ar? Também. A emissora continuou me chamando de um trabalho para o outro e, para mim, foi interessante. Essa novela, por exemplo, eu emendei praticamente com “Salve Jorge”. Não tinha a intenção de emendar uma trama na outra. Mas, quando veio o convite, não tive como negar. Apesar de sua entrada tardia, você vem acumulando papéis de destaque na TV. Você imaginava uma consolidação tão rápida? Nunca. Não esperava. Eu esperava fazer um bom trabalho. Mas o Herculano, de “Cordel Encantado”, foi um personagem que atingiu uma repercussão inesperada. Lógico que ele era a cabeça-chave daquele núcleo do cangaço. Mas fiquei surpreso porque é uma linguagem que eu nunca tinha trabalhado efetivamente.

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