Vítimas chegam a esperar mais de duas horas para denunciar

iG Minas Gerais |

Maria, Lúcia e Paula (nomes fictícios) procuraram pelo plantão da Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte, na manhã de ontem, e esperaram mais de duas horas cada pelo registro de suas queixas. Maria e Paula sofreram agressões físicas, enquanto Lúcia, intimidação psicológica.

Essa demora não se restringe à Polícia Civil. Duas delas reclamaram da assistência prestada pela Polícia Militar (PM). Há duas semanas, a cabeleireira Maria acionou a PM para prestar queixa contra o então marido e passou por situação similar à vivida ontem: esperou duas horas pela viatura. Nessa ocasião, ela decidiu se separar do companheiro.

Paula, que trabalha como cuidadora de idosos, também esperou duas horas pela chegada da PM quando decidiu registrar a primeira ocorrência contra o ex-namorado, há alguns meses. De lá para cá, já foram três registros contra o ex-companheiro, que sofre de alcoolismo. “Ele tinha um problema e eu queria ajudar”, disse, referindo-se ao tempo em que aceitou a violência para cuidar do companheiro.

Já a dona de casa Lúcia foi direto ao plantão da delegacia ontem devido à coação psicológica. Ela esperou três horas por atendimento e reclamou que ainda insistiram em questioná-la pelo dia e hora da agressão. “Eu me sinto agredida o tempo todo”.

Sobre o tempo de espera, a delegada de plantão Gabriela Laino confirmou que o contingente é pequeno, mas que todo tipo de constrangimento deve ser denunciado. Já a assessoria da PM informou que não é possível calcular uma média de tempo para atender uma ocorrência. (SA)

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