Atenção à mulher está precária

Delegacia especializada da capital acumula 80 mil inquéritos à espera de solução; efetivo é pequeno

iG Minas Gerais | Suellen Amorim |

Sobrecarga. Devido à falta de efetivo, delegadas acham difícil apurar os casos que se acumulam nas duas unidades especializadas
DENILTON DIAS / O TEMPO
Sobrecarga. Devido à falta de efetivo, delegadas acham difícil apurar os casos que se acumulam nas duas unidades especializadas

A falta de efetivo da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher da Polícia Civil, na capital, está prejudicando o andamento das investigações. São 80 mil casos à espera de solução para 32 servidores que atuam na unidade, localizada na rua Aimorés, no Barro Preto, região Centro-Sul da capital. Para por fim a essa pilha de inquéritos, cada profissional teria que pegar, em média, 2.500 casos. Além desses, outros cerca de 80 chegam todos os dias no plantão, localizado na avenida Amazonas, na mesma região da capital. Nesse local, são apenas 35 agentes.

“O efetivo não é suficiente. Devido a essa falta de contingente, as investigações estão muito prejudicadas”, confirmou a delegada titular, Elizabeth de Freitas Assis Rocha. No caso do plantão, os servidores são divididos em cinco equipes de sete pessoas, que se revezam em dois turnos de 12 horas. Já na delegacia, o efetivo trabalha em horário comercial.

Para a delegada adjunta Renata Rodrigues, que investiga estupros com autoria desconhecida, é quase impossível solucionar todos os casos acumulados na delegacia. “Eu não tenho pessoal para investigar estupros. O ideal seria uma equipe específica”, avaliou. Belo Horizonte tem um registro de estupro por dia, segundo dados da própria divisão.

Rotina. Quando a ocorrência é registrada no plantão, a equipe leva cerca de uma hora na averiguação, coleta de depoimento e encaminhamento para uma unidade de saúde, caso seja necessário. As delegadas explicaram que o período noturno é o que mais recebe denúncias, especialmente em fins de semana. Geralmente, nesses dias, os agressores estão sob efeito de bebida alcoólica.

Elizabeth disse que já solicitou ao governo do Estado uma solução para o caso por meio da abertura de novas vagas. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que haverá um concurso, até o fim deste ano, para o preenchimento de mais de mil vagas. No entanto, elas não serão exclusivas às unidades de atendimento à mulher, mas para todas as delegacias especializadas.

É possível fazer a queixa por telefone, desde que se trate de ameaça. O número para denúncia é o 180 ou 0800.031.1119

“É imprescindível que haja mais pessoas trabalhando. É muito difícil chegar a uma solução de todos os casos.”

Elizabeth de Freitas, delegada

Saiba mais

Situação. Ao todo, são 67 os policiais civis que trabalham na delegacia e no plantão. Eles atendem a 80 casos diários de violência contra mulher.

Estrutura. São 35 agentes que se revezam em cinco equipes de sete pessoas na unidade de plantão. As equipes têm três investigadores, dois escrivães, um delegado e um agente de segurança.

Delegacia. Os outros 32 servidores trabalham investigando os casos na delegacia.

BH. O plantão para esse tipo de ocorrência está na avenida Amazonas, 558, e a Delegacia de Mulheres fica na rua Aimorés, 3.005.

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