Para PT, STF tem duas medidas

Decisão de mandar caso de Azeredo para 1ª instância deveria ter valido para Dirceu, dizem petistas

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Miguel Corrêa diz que STF teve mais agilidade em ação petista
Luis_Macedo
Miguel Corrêa diz que STF teve mais agilidade em ação petista

“Pau que deu em Chico não dá em Francisco”. Para petistas, esta expressão é a que melhor exemplifica a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de enviar o processo do ex-deputado federal acusado de participação no mensalão mineiro, Eduardo Azeredo (PSDB), para a primeira instância. De acordo com os parlamentares mineiros do PT, o mensalão que condenou nomes de peso da sigla, como o ex-ministro José Dirceu, recebeu tratamento mais rigoroso.

Legalmente, a decisão não é questionada, mas sim o critério dos magistrados. O deputado federal Miguel Corrêa (PT) entende que a Justiça foi “gulosa” para julgar o mensalão petista, o que não ocorreu com o escândalo envolvendo o PSDB. “Azeredo está garantido pela legislação, mas a Justiça teve muito mais celeridade para julgar a ação penal 470. Não estamos vendo a mesma voracidade agora”, analisou o congressista, referindo-se ao mensalão do PT.

O tratamento dos veículos de comunicação também é motivo de reclamação de Corrêa. Ele entende que escândalos que envolvem os tucanos não são noticiados da mesma maneira que os do seu partido. “O mensalão mineiro não é tão divulgado como foi o do PT. O esquema da Alstom, em São Paulo, que envolveu muito mais dinheiro e mais líderes políticos, não é amplamente divulgado”, argumentou.

O correligionário e deputado estadual Paulo Lamac acredita que o processo de Azeredo pode demorar mais a ser julgado, mas diz que os cidadãos “estão vendo a diferença de tratamento” entre as siglas. “Ficou explícito que a filiação partidária influencia na decisão judicial. Mas todo mundo percebeu isso. Cada um que tire suas própria conclusões”, enfatizou.

Apesar de a decisão do STF ter trazido novamente à tona o caso de Azeredo em ano eleitoral, Lamac reiterou que o PT não vai usar o fato durante a campanha. “A preocupação é fazer nosso programa de governo. Até porque acredito que, se ele se candidatasse a deputado federal novamente, seria eleito”, afirmou.

PSDB. Do outro lado da trincheira, a interpretação da decisão do Supremo foi diferente da petista. O PSDB entendeu a decisão da Justiça como acertada. O secretário geral do partido em Minas, Carlos Mosconi, ressalta que o Supremo não é um tribunal político, mas sim técnico. “Se o STF optou por esse caminho, é porque se fundamentou na lei. Não sendo mais parlamentar e não tendo uma posição de cargo público, seu processo vai para a primeira instância. É uma decisão legal.”

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Crimes. Azeredo será julgado por peculato e lavagem de dinheiro por ter supostamente desviado recursos públicos, por meio de empresas de publicidade, para sua campanha à reeleição ao governo de Minas em 1998.

Esquema. Segundo a denúncia, as empresas de Marcos Valério foram contratadas por estatais para elaborar peças publicitárias, mas parte do dinheiro foi desviado para a campanha

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