US$ 1 bilhão que inspira gente

iG Minas Gerais |

Há pouco mais de quatro anos, uma gente paga pelo governo escorou-se na Petrobras para a criação de um conceito de sucesso, uma campanha com planejamento e feeling de dar inveja ao “Yes, we can”, de Obama, de forma que se alastrasse para todos os setores da sociedade. Essa gente seguiu em frente, transformando ilusões em oportunidades de votos. A terra, o mar, tudo foi usado para essa gente ir cada vez mais longe, cada vez mais fundo nos cofres públicos. E essa gente foi capaz de desenvolver uma técnica de persuasão de grandes massas de indubitável eficiência. Essa gente anunciou quebra de recordes e a maior descoberta de petróleo de todos os tempos em águas profundas, com a proeza de, quatro anos depois, não conseguir aumentar a produção de barris e ter que aumentar a importação. E essa mesma gente passou a fazer plataformas de campanhas em cima do petróleo, sondas que perfuraram ainda mais a credibilidade de uma fragilizada e desatenta oposição, além de usar navios de verbas publicitárias para fazer aqui, no Brasil, um milagre: a idealização de uma nova Arábia Saudita nos trópicos. E, construindo refinarias com mais do que o dobro dos valores estimados, essa gente passou a processar em nossa terra um plano que reduziu o gás da economia de nosso país e aumentou nossa dependência externa de combustíveis. Os fertilizantes, nesse caso, serviram muito bem para fazer crescer a popularidade da presidente do conselho que, apoiada por essa gente, viu-se presidente da República, sucedendo o grande líder que essa gente escolhera para o país, ludibriando, com sedução incomum, o restante de toda a gente. Hoje o mundo inteiro olha para a gente desse país que tem um pesadelo diferente por dia. O mundo inteiro olha para o caos no transporte dessa gente, para a violência que essa gente sofre todos os dias, para os aeroportos sem estrutura, para o potencial mortal das precárias estradas pelas quais essa gente transita, para a falta de saúde e pelo analfabetismo sistêmico de uma imensidão de gente. Quem está de fora vê essa gente preparar uma Copa do Mundo para outra “gente” vir e faturar, enquanto os agentes da Fifa, apesar de tudo quererem e quase tudo receberem dessa pobre gente, dizem, sob holofotes, que, nos próximos anos, escolherão nações menos problemáticas do que a construída por essa gente. É essa gente quem inspira o que a gente faz. O que a gente é. E o que a gente é? Uma gente que é roubada em mais de R$ 1 bilhão de dólares e ainda acha que essa gente merece continuar fazendo de nossa companhia de petróleo um vexame que pouca gente acreditou que seria um dia.

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