Escolas particulares e públicas tratam 31 de março como golpe militar

A ambiguidade interpretativa acerca da ditadura militar não atinge a grande maioria das escolas de Belo Horizonte e região metropolitana, que entende a ditadura como golpe militar

iG Minas Gerais |

Passados 50 anos desde a sua instauração, o golpe militar se tornou um capítulo nos livros de história após a anistia. O tema motiva lutas, como a de familiares de vítimas da repressão, torturadas e mortas, que pleiteiam o reconhecimento da responsabilidade do Estado sobre essas mortes. Mas como um assunto tão delicado quanto o regime militar, já que mexe diretamente nos sentimentos de quem sofreu por causa dele e também no ego das forças de segurança pública, é ensinado nas escolas da capital?

O portal O TEMPO conversou com alunos do Colégio Magnum, no Buritis, e do Colégio Estadual Central Milton Campos, que, neste ano, completa 160 anos de história e é conhecido por ter sido o palco dos principais movimentos estudantis de oposição ao regime. Ironicamente, o último colégio leva o nome do político que atuou ativamente nas articulações que levaram ao golpe que depôs João Goulart em 1964 .

Os estudantes de 1° e 3° anos do ensino médio mostraram que, conceitualmente, sabem o que foi a ditadura militar no Brasil, mas, ao serem confrontados com as questões interpretativas da matéria, a maioria deles se mostra confusa em relação ao que o golpe significou para o país. Alguns tentam recorrer à memória e acabam misturando outros personagens históricos ao período. Confira abaixo o que os estudantes sabem sobre a ditadura militar:

A professora de história das redes estadual e municipal de ensino de Contagem Clarissa Josie Couto de Souza Bracelete acredita que a ditadura deve ser vista como um golpe, e não como uma revolução militar, como é ensinado nos colégios militares. “Nós, professores de história, que tivemos uma base esquerdista e marxista na nossa formação, analisamos e reiteramos essa visão de que houve um golpe em 1964”, disse.   Ela também analisa o interesse dos alunos pelo tema e lembra que isso depende de como a disciplina é passada em sala de aula. Mesmo assim, a professora lembra que o interesse das gerações atuais é menor do que das gerações anteriores, que foram diretamente afetadas pelo período. “Na medida do possível, no momento em que nós estamos explicando sobre o assunto, eles se interessam, sim, principalmente quando a gente traça um paralelo com a democracia que a gente tem hoje e da liberdade de escolha. Aí, eles se interessam um pouco. Mas, no geral, esse assunto não tem causado tanto impacto como causou, acredito eu, nas gerações anteriores”.

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