Nomes de militantes substituem os de ditadores nas ruas de BH

Saiba por que diversos lugares da capital ainda homenageiam torturadores e ditadores e entenda por que o chamado elevado Castelo Branco demorou tantos anos para ser rebatizado

iG Minas Gerais |

Há 30 anos, assim que acabou o regime militar, a então vereadora Helena Greco e seu colega Artur Viana fizeram a primeira troca de nome de rua por homenagear uma pessoa comprometida com a ditadura. Na época, a rua levava o nome de Dan Mitrione, agente norte-americano que veio a Belo Horizonte e outras capitais brasileiras para treinar os policiais na aplicação de torturas, especialmente a técnica de tortura com choques sem deixar marcas, na qual era especialista. A rua, localizada no bairro das Indústrias, atualmente leva o nome de José Carlos da Mata Machado, que militou pela Ação Popular Marxista-Leninista (APML) e foi presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito da UFMG, morto após ser preso no DOI-Codi de Recife.

Desde então, vários logradouros de Belo Horizonte passaram a ser batizados com nomes de pessoas que lutaram contra a ditadura militar. Desde 1994, o projeto Rua Viva rebatizou cerca de 163 ruas com nomes de militantes, muitos dos quais morreram pelas mãos dos repressores. O projeto originou dois livros com as localizações das ruas e as histórias dessas pessoas.

Mais recentemente o vereador Tarcísio Caixeta (PT) deu continuação a esse processo na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Ele entrou com o pedido para renomear dois viadutos que homenageiam presidentes da época, o Costa e Silva (sobre a avenida Presidente Carlos Luz, próximo ao Cemitério da Paz) e o elevado Castelo Branco (que liga as avenidas Pedro II e Bias Fortes).

Os dois viadutos foram nomeados com um único decreto, nº 1.972, de 12 de fevereiro de 1971. O decreto foi revogado com o projeto de lei do vereador petista, sendo que o viaduto Costa e Silva foi rebatizado ainda em 2012 com o nome do ex-deputado José Maria Magalhães, pai do ex-vereador José Lincoln Magalhães (PSDB). “Os meus colegas aprovaram a mudança para o primeiro viaduto. Já na hora de trocar o nome do elevado para o nome de Dona Helena Greco, uma das fundadoras do PT, o projeto não passou pela aprovação e o viaduto ficou sem nome por quase dois anos”, explicou Caixeta.

O projeto de lei ficou suspenso, e, no último dia 25 de março, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou a alteração do nome do viaduto, que passará a homenagear Helena Greco, uma das primeiras mulheres a serem eleitas para a Câmara e um dos nomes mineiros mais importantes na luta contra a ditadura. “Acho que em nenhum país do mundo se homenageiam ditadores, torturadores. A democracia é questão fundamental, é um bem de todos”, disse o vereador.

Agora, o projeto aguarda apenas a sanção do prefeito Márcio Lacerda (PSB). "Não acredito que haverá qualquer problema para ser sancionada. É uma homenagem mais do que justa à uma pessoa que foi muito importante para a reabertura política no país. Essa mudança é um resgate à história do país”, finalizou Caixeta.

Veja o mapa de onde estão alguns exemplos de ruas que homenageiam apoiadores da ditadura e outras de pessoas que lutaram contra o regime.

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