Economia, não racionamento

Ministro Lobão disse que governo vai propor redução de consumo para não atrapalhar a Copa

iG Minas Gerais |

Previsões. O ministro Edison Lobão aconselha a população a economizar energia, como ele faz
Valter Campanato/ABr
Previsões. O ministro Edison Lobão aconselha a população a economizar energia, como ele faz

Brasília. Para não haver apagões de energia durante a Copa do Mundo, o governo pode pedir que a população economize energia. A afirmação é do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em uma entrevista publicada pelo jornal “The Wall Street Journal” ontem. Segundo ele, é muito baixa a possibilidade de falta de energia elétrica antes do início da estação chuvosa, que começa em novembro, mas, se o volume de chuvas não aumentar em abril ou maio e não houver uma recuperação dos reservatórios que suprem as importantes usinas hidrelétricas do país, ele poderá pedir aos brasileiros que reduzam voluntariamente a demanda por energia. O ministro fez questão de frisar que trata-se de economia de energia, não reacionamento.

O ministro garantiu que não haverá racionamento compulsório de energia, que poderia ser um problema para a presidente Dilma Rousseff, em ano de eleições presidenciais. O país teve racionamento em 2001-2002, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Neste ano, enfrenta uma onda de calor e de seca recorde. Segundo o “WSJ”, analistas do banco de investimento brasileiro Brasil Plural disseram em relatório de mercado neste mês acreditar que o racionamento não poderá ser evitado.

"Não estamos trabalhando com a hipótese de racionamento de energia", disse Lobão na entrevista. "Temos a convicção de que isso não será necessário."

Segundo o ministro, o governo não planeja cobrar mais das pessoas que não estão economizando energia, como aconteceu durante o racionamento, em que o governo FH cobrava multa de quem não cumpria a cota de energia. Cerca de 70% da geração de energia do país vêm de usinas hidrelétricas, que embora sejam fontes baratas de energia, tornam-se vulneráveis quando há longos períodos sem chuva, afirma o jornal norte-americano.

Demanda alta. Na quinta-feira, a empresa de planejamento energético do Brasil, Empresa de Pesquisa Energética (EPE), informou que a demanda no país subiu 8,6% em fevereiro, na comparação anual. Lobão afirmou ao “WSJ” que, para evitar qualquer problema durante a Copa do Mundo, o governo instalou duas subestações de eletricidade em cada um dos 12 estádios que vão receber jogos, disse o ministro e garantiu que não há riscos de blecautes durante os jogos.

Ao "WSJ", Lobão disse que o governo não quer iniciar o programa de racionalização do consumo antes que seja absolutamente necessário, para evitar uma propagação de medo de uma real escassez de energia. Agir agora “poderia ser interpretado como início de racionamento”, disse o ministro ao jornal norte-americano.

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