Pesquisadores americanos criam cromossomo sintético para leveduras

Proposta é capacitá-las a fazer mais do que fermentar pães ou secretar álcool; opções transgênicas já são usadas na indústria para produção de insulina e drogas antimaláricas

iG Minas Gerais | Da Redação |

Os pães servidos no Oak vêm com recheios diferentes todos os dias, tendo como base os italianos, de casca mais grossa
douglas magno
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O microrganismo que há milênios nos permite produzir pães e bebidas alcoólicas - e, mais recentemente, combustíveis - acaba de receber uma repaginada genética. Pesquisadores nos Estados Unidos anunciaram, na quinta-feira (27), a produção de um cromossomo sintético funcional para o fungo Saccharomyces cerevisiae, mais conhecido como levedura ou, simplesmente, fermento. O cromossomo sintético, construído em laboratório, é uma cópia mais enxuta do cromossomo 3 da levedura, quase 15% menor do que o original e com várias modificações embutidas. Algo equivalente à nova versão de um sistema operacional para celulares: mais leve do que o anterior e com aplicativos opcionais que podem ser ligados ou desligados de acordo com as preferências do usuário.

Quem assina embaixo do novo “software” na revista 'Science' são pesquisadores da Universidade Johns Hopkins - incluindo dezenas de alunos de graduação, que passaram um ano e meio construindo e colando pequenos pedaços de DNA para montar o cromossomo. “Nossa pesquisa traz a biologia sintética da teoria para a realidade”, diz o pesquisador Jef Boeke, um dos autores principais do trabalho, em texto divulgado pela Universidade de Nova York (onde ele trabalha agora).

A biologia sintética é o campo da ciência que utiliza a síntese de DNA como ferramenta básica de trabalho, seja para fins de pesquisa básica ou para aplicações biotecnológicas, baseadas em engenharia genética. A proposta, neste caso, é reprogramar geneticamente as leveduras para capacitá-las a fazer muito mais do que fermentar pães ou secretar álcool. Leveduras transgênicas já são usadas na indústria para produção de insulina e drogas antimaláricas, por exemplo, mas cientistas acreditam que seja possível usá-las para produzir substâncias ainda mais complexas.

O cromossomo sintético criado na Johns Hopkins é o maior feito dessa área até agora. Outros grupos já haviam sintetizado genomas de bactérias e vírus, mas nunca o cromossomo inteiro de um organismo eucarioto, dotado de células com núcleo e bem mais complexas - grupo que inclui a levedura e os próprios seres humanos. A meta de Boeke é sintetizar os 16 cromossomos da levedura nos próximos quatro anos.

Agência Estado

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