‘Selfies’ aumentam a procura por procedimentos estéticos

Brasileiros também relatam insatisfação em suas fotos, afirma médico

iG Minas Gerais | Andréa Juste |

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Um a cada três cirurgiões nos EUA relata aumento de pedido dos pacientes para ‘sair bem na foto’
Yana Paskova / The New York Time
Procura. Um a cada três cirurgiões nos EUA relata aumento de pedido dos pacientes para ‘sair bem na foto’

Se já não bastassem fazer parte do nosso vocabulário diário, as selfies agora estão dominando os consultórios dos cirurgiões plásticos. O impulso atual de fazer fotos do rosto e publicar nas redes sociais está alavancando os procedimentos estéticos.

Nos Estados Unidos, o aumento foi comprovado em números: um a cada três cirurgiões percebeu um aumento de pedidos por cirurgias devido à necessidade de seus clientes “saírem bem na foto”, segundo levantamento da American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery, maior organização de cirurgiões plásticos faciais do mundo.

A organização constatou que houve um aumento de 10% nas rinoplastias (cirurgias no nariz) em 2013, em comparação com 2012. Além disso, houve um crescimento de 7% nos transplantes de cabelos, e 6% nas cirurgias da pálpebra.

Segundo o presidente da organização, Edward Farrior, a exposição constante da imagem em redes sociais baseadas em fotos, como Instagram, faz com que os pacientes observem o rosto com precisão microscópica, e sejam mais autocríticos.

O Brasil, que só perde para os EUA em números de cirurgias plásticas anuais, acompanha a tendência, afirma o médico Antônio Carlos Vieira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – regional Minas Gerais.

Ele recebe inúmeros relatos de pacientes que reclamam de como saem nas fotos. “(Nas selfies), a distância na hora de tirar a foto fica muito pequena, então destaca o nariz, por exemplo. Tem paciente que fala que o nariz parece grande na foto, outros reclamam da pálpebra, falam que estão com o rosto triste”, afirma, ressaltando que 80% dos pacientes são mulheres. “Há dez anos, era de 90% (a procura entre as mulheres). Hoje os homens estão procurando mais (as cirurgias estéticas)”.

Segundo ele, somente em 2011, foram realizados 960 mil procedimentos no país. “Atribuo isso a três fatores: um é que as pessoas têm mais acesso às redes, e a maioria são jovens e adolescentes. Temos feito mais cirurgias em pessoas abaixo dos 30 anos. A cada cem cirurgias nos EUA, duas são em adultos jovens. Isso pula para dez no Brasil. Outro fator no Brasil é a ascensão da classe C, que tem mais acesso às cirurgias plásticas. Além disso, o Brasil é culturalmente aberto ao procedimento”, relata.

“Se um pequeno defeito incomoda, por que não procurar o cirur- gião? A plástica proporciona isso, mas cada um tem a sua identidade.” Antônio Carlos Vieira, Cirurgião plástico

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Dados. A American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery realiza anualmente uma pesquisa entre 2.700 de seus membros.

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