Apenas metade vai cumprir acordo

Hotéis de BH têm até 31 de março para começar a operar; 24 estão com obras atrasadas ou paralisadas

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |


Golden Tulip, no centro de Belo Horizonte, está sendo finalizado
douglas magno
Golden Tulip, no centro de Belo Horizonte, está sendo finalizado

A dois dias do prazo final dado pela Prefeitura de Belo Horizonte para a entrega dos empreendimentos de hotelaria que se beneficiaram da lei 9952/2010 – que flexibilizou a lei de uso e ocupação do solo –, apenas metade dos hotéis vão cumprir o acordo firmado com o Executivo municipal de começar a operar até o dia 31 de março.

Dos 78 projetos aprovados pela prefeitura dentro das normas da nova legislação, 31 já haviam sido cancelados, outros 24 estão com as obras atrasadas ou paralisadas e apenas 23 já estão em operação.

Duas situações podem ajudar a explicar os atrasos em grande parte dos empreendimentos. A primeira foi a reação negativa da rede hoteleira já instalada em Belo Horizonte, que não queria a entrada de novos competidores no mercado. Isso fez com que alguns investimentos e desembolsos fossem adiados, o que comprometeu o cronograma de obras. A outra situação é a aposta do setor de que a prefeitura iria aliviar as sanções previstas para os empreendimentos em atraso.

A lei, de 2010, que aumentou o potencial construtivo das obras e permitiu a viabilização de vários empreendimentos, tinha como objetivo suprir a carência de leitos até a Copa do Mundo. Por isso o prazo estipulado até 31 de março para a entrada em operação dos hoteis. À época, a prefeitura avisou que atrasos seriam punidos com pesadas multas. Hoje, o discurso já é mais cauteloso. “A prefeitura não tem interesse de inviabilizar esse projetos. Se as multas forem aplicadas, muitos projetos, que já estão sendo tocados no limite da sua capacidade financeira, serão cancelados”, avalia o consultor de desenvolvimento de projetos de hotelaria, Maarten Van Sluys, que trabalhou como consultor para a maioria dos projetos desenvolvidos em Belo Horizonte.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte diz que está realizando vistorias das obras dos hotéis construídos nos parâmetros da lei 9952 e que, ao final do processo de apuração, “dará prosseguimento aos procedimentos estabelecidos pela legislação e à divulgação do balanço de todas as ações executadas”.

Apesar dos atrasos nas obras, o aumento na oferta de leitos será suficiente para atender ao crescimento da demanda em função da Copa do Mundo, no mês de junho. Considerando apenas os hotéis que vão entrar em operação até a próxima segunda-feira, serão 3.817 novos quartos de hotel na cidade. Hoje, o município conta com 17.921 leitos e 5.400 quartos de hotel.

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