Melhor para o PMDB

iG Minas Gerais |

Dilma conseguiu piorar o que já estava ruim. É mais ou menos assim que os apoiadores da presidente explicam o impasse criado a partir da denúncia de que a presidente Dilma Rousseff, enquanto ministra e presidente do conselho da Petrobras, aprovou a compra da Pasadena, no Texas, Estados Unidos, o que gerou prejuízo para a empresa de cerca de US$ 800 milhões.

É claro que o prejuízo por si só já causa um desgaste. Afinal, a Petrobras sempre foi a galinha dos ovos de ouro do governo petista. Foi ela o principal alvo da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando eleito pela primeira vez. Proteger a Petrobras de uma possível privatização que seria promovida pelo PSDB era o discurso da campanha petista. De lá para cá, a empresa sempre foi estrela das campanhas de marketing do governo federal e, com tanto poder, também ficou, por várias vezes, no foco de disputa por cargos da base aliada do governo federal.

Portanto, reconhecer que a Petrobras teve um grande prejuízo não deve ser coisa simples. Mas há algo mais grave, pelo menos do ponto vista eleitoral. Dilma, ao saber da denúncia, afirmou imediatamente que o relatório que serviu de base para a decisão da compra da refinaria era falho por não deixar claras as cláusulas que propiciaram o prejuízo.

E foi aí que, como dizem os aliados de Dilma, a coisa piorou. O PT, responsável pelos principais cargos da empresa, não gostou. O PMDB, que já estava em processo de rebelião, aproveitou para engrossar o coro dos insatisfeitos. A oposição, capitaneada pelo senador e presidenciável Aécio Neves, viu ali uma boa oportunidade para atingir a imagem da presidente.

O quadro ficou tão pesado que Lula teria dito que a presidente foi precipitada. A preocupação maior do PT era aquela imagem de gerente competente se perder diante do prejuízo milionário da Petrobras. A própria Dilma Rousseff veio a público dizer que “era bem assim”. Em seguida veio o pedido de exoneração de Nestor Cerveró, o responsável pelo relatório classificado como falho.

Agora, a presidente Dilma e seus ministros articuladores terão que tentar conter a todo custo o movimento pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar os negócios da Petrobras. Tarefa difícil, mas não é impossível para um governo que tem gastado mais tempo em conter a rebeldia de sua base do que em administrar em oposição aos rivais tucanos.

E a definição desse jogo, como em outros momentos, pode estar nas mãos do PMDB. O partido deu uma trégua e ajudou na aprovação do Marco Civil da Internet, mas ainda está em processo de rebeldia declarada. A CPI pode ser uma excelente oportunidade, na visão dos peemedebistas, de se mostrarem para o governo mais do que necessários. 

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