Violência sem fim

iG Minas Gerais |

É assim. Do nada. De repente. E, quando olhar de novo, uma arma pode estar apontada para a sua cabeça. Parece assustador. E é real. Todos nós somos vítimas da violência. Se não fomos, poderemos ser ou conhecemos alguém que já foi. A cada dia ela está mais perto. Tudo é muito rápido. Muito triste. Otimismo soa como ilusão no cenário de insegurança do país em que vivemos. Só salva a fé. Do jeito que a coisa anda... só mesmo rezando. Não há limites para o crime. Não há punição suficiente. Os bandidos estão à vontade. Pouco intimidados para agir. Ousadia pura em suas ações. O sistema de segurança é frágil. Pior, é corrupto. Todos os dias temos provas disso. Nesta semana, em especial, um bando está “rindo da cara da sociedade”. Ouviram o subsecretário de Administração Prisional, Murilo Andrade, dizer em entrevista: “o perigo nas ruas é total”. Deve ser a glória para quem cometeu o maior roubo do sistema prisional de Minas. Os caras entraram na central de escoltas de Ribeirão das Neves, que fica nos fundos do presídio de segurança máxima (fora do complexo, mas bem colado a ele) e roubaram seis submetralhadoras e 39 pistolas. Os nove agentes que estavam no lugar foram dopados. Não houve arrombamento, o que aponta o óbvio envolvimento de um ou mais desses servidores. Para piorar, nada foi filmado. E como seria, se no local não há câmera de vigilância? É difícil mensurar o valor total do roubo já que esse tipo de arma não é, normalmente, comercializado. São armamentos de uso restrito das forças policiais e do Exército. Alguns especialistas estimam algo em torno de R$ 200 mil. Mas, certamente, as submetralhadoras e pistolas renderam muito mais aos bandidos. Além do dinheiro, significam status. Dizem que chegam a ser vendidas por até 15 vezes acima do valor de mercado. No Rio de Janeiro, tem criminoso até alugando arma. Era só o que faltava! É impossível não se indignar, não imaginar para onde vão essas armas, que novos crimes serão cometidos com elas e quantas famílias serão desfeitas. Fica difícil não pensar nas vítimas da criminalidade. O medo aumenta como uma bola de neve. Essas não foram as primeiras armas roubadas. Não serão as últimas. São muitos os desvios. Acontecem diariamente, mas só os grandes casos chegam ao conhecimento da mídia. Provavelmente, imagino eu, partiu de uma arma roubada o tiro que atingiu a caixa de supermercado Gabriela da Cunha, em Itaúna, na última sexta. Ela só tinha 16 anos. Não reagiu. Agora, deixa saudade e engrossa estatísticas. Todos a viram morrer já que o crime foi filmado pelas câmeras de segurança do estabelecimento comercial. As cenas caíram na internet. Três dias depois, em Pirapora, o mesmo crime se repete. Foi a vez da caixa Aparecida Barros, de 44 anos. Morreu de forma semelhante. Ambas só estavam trabalhando. Difícil não lamentar... Difícil não pensar em como era a vida de Gabriela e Aparecida ou nos planos feitos pelo jovem Matheus Salviano, assassinado no bairro Gutierrez. Em quantas peças ainda trabalharia a atriz Cecília Bizzotto, executada no Santa Lúcia? Soube que o funcionário da Câmara de BH Christiano D’Assunção tinha se casado havia poucos meses e estava feliz antes do crime que tirou sua vida. E os anônimos? Os tantos e tantos anônimos, cujas histórias não puderam ser contadas. Muitas vezes, para quem atira, as vítimas não têm rosto, estado civil, idade ou parentes. São alvos e só. Pouco importa se reagem ou não. Enquanto o país não melhora, vivemos assim... um dia de cada vez. Fico pensando se as autoridades de segurança e os tantos políticos dormem tranquilos diante de tamanha violência. A população não dorme.

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