Em Paris, Comptoir de la Gastronomie

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acir galvao
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Comptoir de la Gastronomie: anote o nome do restaurante/mercearia da rue Montmartre 34, perto de Les Halles, que é simpático e aconchegante. Sua comida é benfeita, despojada de frescura, da cozinha ao salão. Ótimo lugar para perder o preconceito com culinária francesa, pois ali você não identificará nenhum traço de nouvelle cuisine, mas sim um toque das velhas donas de casa francesas, em receitas singelas e porções de bom tamanho. O atendimento é cortês, eficiente e igualmente caseiro. Moçada nova e acessível, penso que mesmo para quem não fala francês. Paga-se pelo conteúdo, mais do que pela badalação ou sofisticação e tem-se a certeza de um programa que é a rotina dos trabalhadores da região, como os da Bourse de Commerce. Sugiro a sopa de cebola, fumegante e encorpada, pra começar. Se o seu apetite for moderado, provavelmente será o suficiente. Coisa rara em Paris! De entrada, os escargots graúdos são igualmente recomendáveis. Depois, o cassoulet vem soberbo, bem temperado, sustança ideal para dias frios, mas sem exagero nenhum na gordura. Os ravióli de foie gras também são gostosos. De sobremesa, o enorme profiterole, com recheio de sorvete e chantilly, dá bem pra dois! A conta é módica para os padrões parisienses, na faixa dos 70 euros. Depois da refeição, dê uma passada na mercearia contígua, onde se pode comprar um bom sortimento de frios, patês e congêneres, para lanchar em casa ou no hotel, à noite. Apesar do endereço, o Comptoir de la Gastronomie fica bem longe de Montmartre. Nem tanto do Louvre, de onde pudemos vir a pé. Agora, se você estiver no mencionado bairro dos artistas, tenho uma outra sugestão a dar: La Galette des Moulins, no comecinho da rue Norvins. Primeiro você abre o apetite vendo as inúmeras e geniais criações do mestre Dalí, no espaço com seu nome, um museu absolutamente necessário. Depois, aprecia as quiches suculentas, untuosas e macias, como a lorraine, completando o lanche com uma torta de framboesas e um chocolate vienense. O ambiente é charmoso, de café. Nem sei se servem refeição. As moças atendem gentilmente e você desfruta da varanda a movimentação divertida de Montmartre, com suas performances de rua e personagens curiosas, cheias de personalidade. A conta para dois a vinte dois euros é uma pechincha até no Brasil. A descida pelo funicular conduz quem ainda não conhece à descoberta dos banheiros públicos de Paris. Francamente, não entendo por que a prefeitura de BH ignora essa urgência em nossa cidade. A Copa do Mundo vem aí e até agora neca de pitibiriba. E olha que os preços praticados em Paris são pagáveis até por quem recebe Bolsa Família, se estiver numa situação de desespero! Que dirá pela nossa “classe média” cada vez mais numerosa, ou pelos turistas, que possivelmente usarão como mictório as árvores da lagoa da Pampulha…

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