Programação passa por cinema, teatro e televisão

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |



O clássico “Fanny
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O clássico “Fanny

Grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Com o sucesso e o escopo das retrospectivas de cineastas como Charles Chaplin, Howard Hawks e Alfred Hitchcock, a meta de se superar a cada nova mostra só aumenta para a equipe do Humberto Mauro. “O desafio com o Bergman foi mostrar o diretor por inteiro, fazer jus à obra toda dele, que é a tradição da casa”, avalia o curador Rafael Ciccarini.

Para isso, a equipe foi atrás de cópias da extensa produção do sueco, reunindo um material que inclui 46 filmes em película, longas como “Fanny e Alexander” em DCP, além de blu-rays e DVDs. O resultado é uma programação que inclui obras de Bergman para a TV, inéditas no Brasil e traduzidas direto do idioma original em parceria com a Embaixada da Suécia, ao lado dos clássicos do diretor em projeção cristalina.

“Claro que é imperdível assistir a todo esse material inédito e raríssimo. Mas como não recomendar uma sessão de ‘Persona’ em 35mm?”, questiona o curador. A produção televisiva é especialmente vasta e representativa, já que o diretor se aposentou do cinema com “Fanny e Alexander”, em 1982, e depois se dedicou exclusivamente à telinha e ao teatro.

“É um trabalho que continua a pesquisa estética dele, com um pouco menos de invenção de linguagem”, analisa Ciccarini. Segundo o curador, é visível no material um foco ainda maior em planos mais próximos e na dramaturgia, com o teatro mais forte que nunca. “Ele tematiza muito a questão da atuação e a metalinguagem também se mostra bem presente”, considera. Além de obras feitas especificamente para a TV, a mostra vai exibir ainda várias filmagens que Bergman fez de suas próprias peças e que foram exibidas na Suécia.

Outro destaque da programação são os documentários sobre a carreira do cineasta, que vão desde making of de filmagens a estudos da relação do sueco com seus vários colaboradores. A retrospectiva exibe ainda “A Carruagem Fantasma” – longa dirigido por Victor Sjöström em 1921, citado reiteradas vezes por Bergman como sua maior influência no cinema – e obras mais cômicas dirigidas pelo cineasta e pouco associadas a sua filmografia, como “O Olho do Diabo”, uma releitura de “Don Juan”.

Por fim, como já é de costume no Humberto Mauro, a mostra vai promover cursos e debates sobre a filmografia do sueco, desde abordagens psicanalíticas até seu trabalho com atores e o teatro.

O objetivo desse grande mosaico, segundo Ciccarini, é provar o amplo legado e influência de Ingmar Bergman como cineasta moderno, citado como referência por mestres como Woody Allen, Pedro Almodóvar e Wes Anderson.

“Costumo dizer que é impossível realizar uma obra de suspense no cinema sem dialogar com Hitchcock. O mesmo é válido para o drama cinematográfico – como gênero mais do que como abordagem. Não há como conceber um drama em filme sem pensar em algum longa ou momento do cinema de Bergman”, conclui.

Programe-se

“Ingmar Bergman – Instante e Eternidade”

Quando. De hoje a 12/5

Onde. Cine Humberto Mauro – Avenida Afonso Pena, 1537

Entrada gratuita

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