Toda natural

À frente do programa “Bela Cozinha”, no ar no GNT, a nutricionista e chef Bela Gil assumiu o desafio de desmistificar a comida e o estilo de vida saudável para público neófito

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

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GNT / Divulgação
À frente do "Bela Cozinha", a chef e nutricionista desmistifica a comida saudável

No léxico da nutricionista e chef Bela Gil, “natural” é uma das palavras mais comuns. Ela recorre ao termo não só para falar sobre a preferência por comida saudável, mas também para explicar os processos pelos quais passou para chegar até esse estilo de vida. Para ela, é tudo muito natural. Agora atuando também como apresentadora, no comando do programa “Bela Cozinha” (no ar às terças, às 22h, pelo canal pago GNT), ela tenta desmistificar a relação entre sabor e saúde.

Natural, segundo ela conta, foi trocar a panela de brigadeiro que habitava seus sonhos de adolescente por cookies integrais sem traumas. Ou ir para Nova York para aprimorar o inglês e, oito anos depois, acabar formada em culinária pelo Natural Gourmet Institute e ainda em nutrição e ciência dos alimentos pela Hunter College.

Hoje, ela não só troca o brigadeiro como também faz dessa opção pela alimentação saudável uma bandeira e profissão. “Meu objetivo é mostrar para as pessoas que a comida que faz bem pode ser muito saborosa”, diz.

Essas pessoas a que ela se refere, podem ser, por exemplo, o sambista Arlindo Cruz, adepto (e convicto) de uma dieta nada moderada. Convidado do episódio dedicado aos petiscos de boteco, Arlindo passou pelo desafio de trocar as frituras tão comuns nesse tipo de comida por outras mais naturebas, como batata chips assada, bolinho de arroz integral e barrinha de cereal com pasta de amendoim. Entre outros convidados, ela recebeu, também, a atriz Carolina Dieckmann, os cantores Baby do Brasil e Zeca Pagodinho.

Filha do cantor Gilberto Gil, Bela cresceu vendo os hábitos alimentares do pai, que segue a macrobiótica desde a década de 1970. Quando pequena, torcia o nariz para o arroz integral que ele consumia, mas hoje diz que esse é um dos ingredientes que ela não consegue viver sem. “Essa disciplina do meu pai sempre foi uma referência para mim, mas não foi ele que me fez mudar meu estilo de vida”, explica.

O que provocou essa transformação e fez com que Bela trocasse o arroz branco pelo integral foi a prática da yoga, que ela iniciou aos 16 anos. A partir do contato com a filosofia oriental, sentiu necessidade de ser mais saudável, e a macrobiótica, que já estava ao alcance dela por causa do pai, foi o portão de entrada. Aos 18, outro processo de descoberta (de novo, caracterizado por ela como “natural”): a cozinha.

Se até então ela já era praticante de uma dieta mais equilibrada e procurava ter mais consciência alimentar, ao se mudar para Nova York teve de assumir o controle do fogão para cozinhar a própria comida. “Aí, eu resolvi fazer um curso de culinária. E quis me aprofundar. Depois que me mudei, entendi que a comida natural não é um bicho de sete cabeças. E cheguei até a ayurvédica (medicina tradicional indiana)”, relembra.

Com tantas influências, Bela pratica uma cozinha eclética, fruto do conhecimento de diferentes filosofias e ciências. “Ainda estou buscando uma classificação, mas não gosto de rótulos”, diz, antes de filosofar. “O que faço não é nada, mas é tudo ao mesmo tempo”, divaga, em fala que evidencia a sua descendência. Mais do que cozinha natural, ela busca também as raízes baianas e brasileiras, pela preocupação de ser sustentável.

A paixão pela cozinha natural já causou alguns embaraços para Bela, sobretudo nas viagens. Quando ela começou a cozinhar nos Estados Unidos, a família Gil no Brasil ficou curiosa para conhecer esses novos sabores, mas que só eram possíveis de ser reproduzidos com os ingredientes originais, muitos deles ainda inexistentes por aqui. A solução era trazer tudo na mala. “Já fui parada nas alfândegas várias vezes com malas cheias de leite de amêndoas, raízes diferentes e outras comidas. A vez mais estranha foi quando me perguntaram se eu trazia camarão seco. Qual o sentido de levar camarão seco para a Bahia?”, questiona, entre risos.

Tímida. Segundo Bela, se descobrir apresentadora de televisão foi uma boa coincidência. Ela já tinha sido convidada para participar de outra atração do GNT, o “Alternativa Saúde”. Com um vídeo piloto que uma amiga tinha gravado em Nova York, ela ofereceu o projeto de um programa solo ao canal. Assim nascia o “Bela Cozinha”. “Na verdade, eu sou tímida, mas como se trata de um assunto que eu domino, falo com tranquilidade”, ressalta.

Com o programa, ela entra para o rol dos apresentadores brasileiros no ar com programas sobre culinária (veja alguns mais nestas páginas).

Desde que voltou ao Brasil, Bela tenta revalidar os diplomas norte-americanos para poder trabalhar como nutricionista. Enquanto espera, começou a atender clientes como “health coach” e a organizar spas para divulgação da boa alimentação. Mas desde que o primeiro episódio do programa foi ao ar, no dia 11 de março, ela ainda não conseguiu voltar à velha rotina.

Todos os 13 episódios da primeira temporada do programa já foram gravados, no apartamento dos pais de Bela em São Conrado, no Rio de Janeiro. A segunda ainda não foi confirmada pelo canal, mas ela diz acreditar que, pelo sucesso dos primeiros capítulos que já foram ao ar, a sequência deve acontecer.

“Tem sido muito bom. Recebo o retorno e o carinho das pessoas o tempo todo. Sou parada na rua por pessoas que dizem que estão dando uma chance à alimentação saudável, acreditando que é fazer um novo tipo de comida, e que ele é gostosa”, afirma Bela.

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