Morte para contar a vida

Espetáculo “Solamente Frida” tem apresentações em Belo Horizonte, Contagem e Mariana neste fim de semana

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Força. Atriz Clarissa Baptista, também responsável pelo texto, interpreta Frida Kahlo, na peça que mostra a vida da pintora mexicana
Talita Oliveira / divulgação
Força. Atriz Clarissa Baptista, também responsável pelo texto, interpreta Frida Kahlo, na peça que mostra a vida da pintora mexicana

Difícil apontar se a vida da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) tem mais ou menos repercussão que suas obras. Fato é que tanto sua vida pessoal, marcada por sofrimentos físicos e psicológicos, quanto suas telas a definem como uma das artistas plásticas mais famosas do último século. São recortes da história da artista que dão vida ao espetáculo “Solamente Frida”, em cartaz hoje, no Zap 18.

O ousado projeto de retratar o ícone da pintura partiu da dramaturga e atriz Clarisse Baptista. Ela é uma das fundadoras, juntamente com Marineide Maia, da Cia. Garotas Marotas, do Acre. A dupla teve a ideia de montar a peça em 2011, no mesmo ano que convidou o grupo boliviano Teatro de Los Antes para dirigir o drama. “Sempre gostei muito do trabalho deles. Depois do convite, eles ficaram temerosos em aceitar porque não tinham, até então, produzido nada fora do país, mas o trabalho feito foi ótimo”, conta Clarisse.

Ao contrário do grupo, a dramaturga nunca se sentiu pressionada por levar aos palcos a sua versão da vida de uma artista tão conhecida. “Só escolho pessoas nas quais eu confio muito para me dirigir. Por isso não houve receio da minha parte”, conta a atriz, que dá vida a Frida no espetáculo.

Embora a direção do Teatro de Los Antes, que também foi responsável pelo figurino e cenografia, tenha sido eficaz, como conta Clarissa, a montagem demandou estudo e imersão. “Eu comecei lendo muitos livros que falavam dela, mas o mais legal foi ter ido até o México e conhecido de perto a cultura que a cercava”, comenta.

Durante a viagem, uma das coisa que mais chamou atenção da atriz foi a relação que o povo mexicano tem com a morte. “Ao contrário de nós, eles celebram a morte como uma festa. Eles sofrem sim, mas para eles a morte faz parte da vida”, conta.

Essa concepção, por dialogar com a vida de Frida, uma mulher que era ligada às tradições de sua terra natal e vítima de doenças e acidentes, que, no fim, lhe custaram a vida, guia a peça. “Ela era cercada pela morte e foi dessa premissa que tiramos a ideia a estrutura da peça. A cenografia, por exemplo, é um altar mexicano dos mortos, com fotos do falecida, comida e adereços. Do jeito que costumam fazer no México”, diz.

É neste cenário que recortes da vida da pintora são narrados por Clarisse, com a ajuda do ator Nonato Tavares. “O personagem dele assume vários papéis, desde o marido até mesmo a própria Morte”, descreve.

Curiosamente, o que chama mais a atenção em toda trajetória de Frida para sua intérprete na peça é a vida. “Ela foi uma pessoa marcada pela dor e conhecida por muitos por ser nervosa. Mas pelas cartas para seus amigos e amores, dá para ver como era afetuosa com seus entes queridos e com o povo do México. Ela amava a vida, apesar de tudo”, opina.

Assim, os dois grupos teatrais almejam mostrar aspectos humanos da personagem ilustrados por sua entrega às paixões – Frida era bissexual – e seu modo de lidar com a arte, de forma fidedigna. “Utilizamos textos do diário dela e cartas que ela escreveu”, conta Clarisse.

Tal fato, porém, não impede que pessoas que desconhecem as obras e fatos da vida de Frida deixem de fruir o espetáculo. “Quem não conhece nada sobre ela pode até aproveitar um pouco menos, mas qualquer pessoa irá entender. Ajuda muito a quantidade de imagens que utilizamos para contar a história”, diz.

Depois de passar pela capital mineira, a peça segue para Contagem, onde se será encenada neste sábado e, na segunda-feira, para Mariana.

Agenda

O quê. Peça “Solamente Frida”

Quando. Hoje, às 20h30

Onde. Zap 18 (rua João Donada, 18, Serrano)

Quanto. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

No cinema

A vida de Frida Kahlo já foi tema para filmes, séries e documentários. O longa mais recente, intitulado “Frida”, foi dirigido por Julie Taymor e teve como protagonista a também mexicana Salma Hayek.

Fã confessa da pintora, a atriz declarou à época das filmagens: “A coragem dela é única. Ela nunca foi convencional em nada que fez”.

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