Paralisações ganham força e comprometem serviços

Agentes de saúde em greve há 48 dias reclamaram do corte no ponto de alguns funcionários

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Pressão. 
Educadores realizaram passeata na sexta (21) e começaram as paralisações na rede pública
Lidyane Ponciano
Pressão. Educadores realizaram passeata na sexta (21) e começaram as paralisações na rede pública

A onda de protestos e paralisações que vem sendo realizada pelo funcionalismo público de Betim nos últimos dias por melhores condições de trabalho continua afetando os serviços essenciais à população nesta semana.

Na sexta-feira (21), cerca de 400 servidores da educação realizaram um novo manifesto de repúdio à falta de negociação com a prefeitura em relação às reivindicações da categoria. Na ocasião, eles foram em passeata para a sede da prefeitura com faixas, cartazes e apitos e percorreram o Centro Administrativo.

No mesmo dia, a categoria aprovou em assembleia a redução de módulo (horário das aulas) no ensino fundamental, que ocorre desde quinta (27) e vai até a próxima segunda (31). Já quanto as atividades infantis, a paralisação começa nesta sexta (28) e vai até a quarta (2).

“No dia 1º de abril, vamos fazer um ato público na praça Tiradentes, no centro, porque, no ano passado, o prefeito assinou o acordo de alguns pontos da campanha salarial, mas não cumpriu. Faremos panfletagens nos bairros”, explicou a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Denise Romano.

Na semana passada, 90% dos professores das escolas estaduais e municipais já haviam aderido à greve nacional de três dias da categoria, deixando 45 mil alunos da rede sem aula.

As principais reivindicações da categoria são um reajuste salarial de 34%, o que inclui o aumento do piso nacional dos profissionais, de 8,32%, mais a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos, isonomia salarial e a realização de concurso público para agente de serviços gerais ainda neste ano.

Na saúde, as manifestações também vêm ganhando força e comprometendo os serviços prestados à população. Na última segunda (24), cerca de 150 auxiliares e técnicos em enfermagem, além de enfermeiros, paralisaram as atividades por 12 horas.

Já na quinta (27), Agentes Comunitários de Saúde (ACSs) e de combate a endemias, em greve há 48 dias, fizeram uma nova passeata do bairro Horto até a sede da prefeitura. A situação preocupa, já que o período de maior incidência dos casos de dengue está chegando.

Na ocasião, eles, além de reivindicarem o pagamento integral do piso de R$ 1.014, que, hoje, é repassado mensalmente pelo Ministério da Saúde para o custeio do programa, denunciaram o corte no ponto de funcionários. “A categoria repudia a forma como o prefeito está agindo. Em vez de cumprir o acordo assinado em 2013, ele cortou o salários dos agentes. Como prevíamos isso, tínhamos entrado com um pedido de liminar na Justiça para assegurar a categoria o direito de greve. Felizmente, o juiz aceitou e, agora, o governo terá que repor esse salário”, disse o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Betim (SindSerb), Geraldo Teixeira.

Ainda conforme Teixeira, os servidores vão realizar, na terça (1º) – data agendada pelo governo para ser realizada a primeira reunião referente à mesa de negociações com as entidades sindicais –, uma paralisação de 24 horas. “Mas, a partir das 13h, vamos nos reunir na prefeitura para aguardar o resultado da mesa de negociação”, explicou.

Por e-mail, a assessoria da prefeitura informou que o ponto de alguns agentes foi cortado, pois, como a greve não foi reconhecida pela Justiça, os agentes são considerados faltosos.

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