Fila de espera por vaga na hemodiálise demora meses

Usuários são obrigados a ficar internados enquanto tratamento não sai

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Complicação.
 A esposa de Hélio José mostra aviso alertando sobre sua contaminação
Moisés Silva
Complicação. A esposa de Hélio José mostra aviso alertando sobre sua contaminação

 

Pacientes estão ficando internados no Hospital Regional sem necessidade e fazendo diálise em horários incertos por falta de vaga. Em muitos casos, a fila de espera chega a dois meses. Esse é o retrato do serviço de hemodiálise em Betim, onde mais de 200 pacientes renais crônicos são atendidos por mês.   Quem faz a denúncia são pacientes que estão internados na unidade de saúde desde o início deste ano, enquanto aguardam a “vaga fixa”, para conseguir o tratamento. Eles dependem de hemodiálise – máquina que substitui a função renal – para sobreviver até que consigam um transplante de rim. Em geral, precisam fazer três sessões por semana.    “Estou em quinto lugar na fila de espera por uma vaga na hemodiálise, mas elas só surgem se algum paciente de lá morrer, for transplantado ou transferido”, conta a dona de casa Jeanne Maria da Silva, 41. Ela está internada no Regional desde o dia 4 de fevereiro, dividindo um quarto no segundo andar com outras duas pacientes que estão na mesma situação.   Jeanne completa 42 anos no próximo dia 15 e teme que tenha que passar a data internada. “Quero ir para casa, pois, quando não estou na hemodiálise, fico ociosa aqui. Ou estou dormindo ou comendo. Quero voltar a ter uma vida normal”, diz. A dona de casa conta ainda que sente falta de sua filha, de 14 anos, que, devido à sua situação, está em casa sozinha. “Por causa da idade, ela não pode nem dormir comigo no hospital”, lamenta.   Outra que reclama da situação é Maria Natalina Batista, 59. Ela também está há quase dois meses internada no hospital para conseguir fazer a diálise às segundas, quartas e sextas-feiras. “Tem dia em que tenho vontade de sair correndo. Queria fazer o tratamento e poder ir para casa como qualquer usuários do setor”, ressalta.   Sônia Maria Damasceno, 51, questiona por que ela e as colegas de quarto não podem ir para casa. “Eu queria entender o motivo, já que os que estão na ‘vaga fixa’ fazem o tratamento e vão para casa no mesmo dia”.   Já Maria Cândida, esposa do paciente Hélio José de Oliveira, 60, que, desde o dia 6 de janeiro, está internado no Regional, contou que, apesar de ele ter conseguido a “vaga fixa” na quarta-feira (24), teve que permanecer no hospital, porque foi diagnosticado com uma infecção. “Ele ficou tanto tempo internado esperando a vaga que contraiu uma contaminação. Agora, ele está sendo cuidado com precaução. Tenho medo de que o seu estado de saúde se agrave”, disse.   Resposta A assessoria da prefeitura informou que, conforme a Resolução Técnica Integrada 154 – que estipula regras e métodos para a hemodiálise no país –, quando não há “vaga fixa”, o paciente, para receber o tratamento, precisa ficar hospitalizado e, consequentemente, demanda um leito. A assessoria destacou ainda que a internação é necessária, visto que há necessidade de acompanhamento médico até que haja a vaga, e que, atualmente, 18 pacientes aguardam disponibilidade para tratamento em Betim. A assessoria frisou que existe um déficit de vagas para hemodiálise em toda a região macrocentro do Estado.

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