Elevação de 50% nos custos com Move indica tarifa maior

Setra-BH diz que ônibus do sistema gastam no mínimo 50% mais e que empresas estão no vermelho

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Gasto. Segundo empresas, pneus se desgastam mais no concreto das pistas exclusivas que no das mistas
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Gasto. Segundo empresas, pneus se desgastam mais no concreto das pistas exclusivas que no das mistas

Um ônibus que gastava um litro de combustível a cada 2,4 km agora consome a mesma quantidade em 1,5 km, percurso 38% menor. A mudança é um exemplo entre vários e se deve à substituição dos coletivos comuns pelos articulados do Move (nome dado ao BRT da capital), sistema que, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH), tem um custo total no mínimo 50% maior que o modelo convencional. Se a base de cálculo usada hoje para o reajuste for mantida, levando em conta justamente as despesas do setor com a manutenção do serviço, esse aumento nos custos pode se refletir em elevação mais expressiva da passagem nos próximos anos.

Para este ano, já há uma expectativa de que a tarifa fique mais cara a partir de 1° de abril, conforme O TEMPO mostrou em sua edição desta quarta-feira. No mesmo dia, representantes da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) se reuniram a portas fechadas com o Ministério Público para definir a questão. Como argumento para o aumento, as empresas contam com os resultados preliminares de uma auditoria nas contas do setor, que revelaram um custo 30,5% maior de 2009 a 2012 e um prejuízo de R$ 25 milhões no último ano analisado.

Segundo o Setra-BH, o prejuízo foi ainda maior em 2013, ao mesmo tempo em que as empresas estão investindo na compra dos ônibus do Move. “Estamos no vermelho, e os gastos com o novo sistema são bem maiores, no mínimo 50% a mais”, afirmou o porta-voz do sindicato, Edson Rios. Segundo ele, entre os fatores que levam a uma despesa maior, estão combustível, pneu, rodagem, suspensão hidráulica e equipamentos de tecnologia.

O aumento no consumo de óleo diesel é atribuído ao ar-condicionado e ao peso do ônibus. “Esse custo a mais no diesel já estamos sentindo no bolso e chega a ser 70% maior”, afirmou o responsável por uma das concessionárias da capital, que preferiu anonimato. Outro gasto já aplicado é com pneus, que aumentou de número, de seis para dez, do convencional para o articulado.

O Setra-BH alega ainda que os pneus se desgastam mais no concreto das pistas exclusivas que no asfalto das faixas mistas e que os monitores e outros sistemas tecnológicos dos ônibus exigem gastos constantes com manutenção.

Argumento. “As empresas sempre vão conseguir provar que há necessidade de aumento enquanto o cálculo estiver atrelado aos custos, que sempre sofrem reajuste. Essa planilha de custos é altamente questionável”, afirmou o engenheiro em transportes e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Dimas Gazolla.

Também da UFMG, o engenheiro Nilson Tadeu rebate o fato das empresas sempre repassarem para os usuários qualquer aumento. “Se há uma melhoria no transporte, quem paga a conta é o usuário? Não foi ele quem optou pelo Move e não é justo que arque com os custos”.

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