Comissão da Verdade estuda processar o Exército

Site publica 9.872 documentos oficiais norte-americanos com informações sobre o governo militar

iG Minas Gerais |


Coronel Malhães admitiu torturas, mas não revelou nomes de agentes
Reprodução / TV Globo
Coronel Malhães admitiu torturas, mas não revelou nomes de agentes

Brasília e Rio. A Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro estuda medida jurídica para obrigar o Exército a colaborar com as investigações sobre o paradeiro de desaparecidos políticos. O presidente da comissão, Wadih Damous, informou que está discutindo o assunto com juristas.

“Tenho discutido a hipótese de medida jurídica. Não sei se seria ação ou se uma interpelação judicial. Mas um mecanismo para obrigar o Estado brasileiro a se pronunciar oficialmente sobre o que aconteceu”, afirmou Damous.

A declaração foi feita no dia seguinte ao depoimento do coronel reformado Paulo Malhães à Comissão Nacional da Verdade, em que ele confirmou ter torturado e assassinado presos políticos, mas se recusou a fornecer nomes de vítimas e de torturadores. Malhães também negou ter sido o oficial que desapareceu com o corpo do deputado Rubens Paiva, embora tivesse assumido a autoria deste crime à Comissão da Verdade do Rio.

Documentos. Em 1968, a CIA – a agência de investigação norte-americana – concluiu que a “agitação” nas universidades brasileiras se devia a “estudantes profissionais” que passavam anos sem se formar graças às baixas exigências acadêmicas.

No mesmo ano, diplomatas norte-americanos testemunhavam o grande entusiasmo do empresariado pelo AI-5, o mais drástico instrumento de exceção da ditadura militar.

Esses relatos são apenas dois exemplos do acervo de 9.872 documentos produzidos pelos Estados Unidos entre 1963 e 1977 sobre o Brasil que o projeto inédito Opening the Archives (Abrindo os Arquivos) começou a publicar na internet.

Resultado de uma parceria entre as universidades Brown (EUA) e Estadual de Maringá (UEM), do Paraná, o projeto digitalizou e indexou material do Departamento de Estado e da CIA. Quase todos estavam acessíveis apenas nos arquivos nacionais, na região da capital Washington.

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