R$ 70 mil apenas em molduras

Câmara de Vereadores prevê gastos de R$ 40 mil com bebidas e de R$ 13 mil com pães e bolos

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |


A Câmara de Patrocínio tem sido alvo de protestos populares
Marcelino Marques de Araujo / Di
A Câmara de Patrocínio tem sido alvo de protestos populares

Se depender da Câmara Municipal de Patrocínio, não vão faltar, em 2014, homenagens a cidadãos importantes e comida na dispensa da Casa. Em três pregões de preço, o Legislativo da cidade previu um gasto de R$ 70 mil em molduras para diplomas de moção de aplausos e títulos de cidadão honorário, R$ 40 mil em bebidas e mais R$ 13 mil em delícias de padaria.

As tomadas de preço, realizadas no segundo semestre do ano passado, chamam atenção pela quantidade de itens licitados. As molduras feitas para dar suporte às honrarias concedidas a pessoas e entidades têm variados tamanhos e tipos. A maior delas tem dois vidros e uma armação de 50 por 70 centímetros. A menor tem 15 por 20 centímetros e um vidro. O edital indica a compra de 2.150 peças.

No quesito alimentício, a Casa também tem muitas opções de consumo. Se a pedida for uma bebida quente, poderá se oferecer até mil caixas de chá de frutas vermelhas, canela, hortelã, erva-doce e capim. Quem não gosta de chá poderá beber o tradicional café, que tem dotação orçamentária para a aquisição de 750 kg ao preço de R$ 11 mil. Podem ser solicitados também a compra de sucos de maracujá, caju, manga, goiaba, abacaxi e laranja, além de refrigerantes diet.

Para comer, o cardápio da Casa pode oferecer: 6.000 roscas, 2.400 pães de batata, 150 kg de pão de queijo e 120 bolos de fubá, milho ou chocolate.

Até fevereiro, de acordo com o Portal da Transparência do Parlamento, já foram adquiridos, somente neste ano, R$ 1.491 em chás, roscas, pão sovado e sucos.

Questionado sobre o assunto, o presidente da Câmara de Patrocínio, Cássio Remis (PSDC), adiantou que vai suspender os registros de preços das molduras e das bebidas. Para ele, o setor administrativo, por ter pessoas inexperientes, fez uma previsão muito além do que é gasto com as rubricas por ano. “O valor é alto, mas não quer dizer que vamos gastar tudo. No ano passado, por exemplo, não compramos nem R$ 2.000 com os itens. Não somos irresponsáveis”, afirmou o vereador, creditando a divulgação das polêmicas listas de compras a ataques políticos.

A procuradora da Câmara de Patrocínio, Maria Aparecida, explicou que a modalidade de licitação é diferente. “Fizemos um registro de preços que indicam quais itens podem ser consumidos, caso exista necessidade. A dotação é grande para que não seja preciso fazer várias licitações e para segurar o preço, já que o pregão vale por um ano”, argumentou, explicando que não é preciso consumir todo o volume previsto na licitação.

Pedidos

Lanche. Dos R$ 1.491 utilizados na compra de pão francês, pão sovado e chás, neste ano, R$ 700 foram gastos no mês de janeiro, período de recesso dos 15 vereadores de Patrocínio.

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