Berzoini assumirá lugar de Ideli na articulação política

Objetivo seria agradar líder rebelde do PMDB, Eduardo Cunha

iG Minas Gerais |

Eduardo Cunha tem se recusado a participar de reuniões com Ideli
GABRIELA KOROSSY
Eduardo Cunha tem se recusado a participar de reuniões com Ideli

Brasília. Depois de sucessivas derrotas na Câmara e alvo de reclamações do próprio PT, a presidente Dilma Rousseff resolveu mudar a articulação política do governo. Ela deve substituir a ministra Ideli Salvatti, de Relações Institucionais, pelo deputado Ricardo Berzoini (PT-SP).

O PT tenta emplacar Berzoini no cargo desde o final do ano passado, mas a presidente resistia. A indicação foi feita pelo presidente do partido, Rui Falcão, com as bênçãos do ex-presidente Lula. A posse de Berzoini, que conversou com Dilma no último sábado, deve ocorrer na próxima terça-feira.

Ideli deve ser realocada, em um primeiro momento, na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, já que a atual titular, Maria do Rosário, sairá para disputar as eleições. Em novembro, Ideli deve ser indicada para o Tribunal de Contas da União (TCU) na vaga do ministro José Jorge, que se aposentará. A indicação precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.

A presidente Dilma ficou contrariada, no entanto, com o vazamento da informação, o que enfraquece ainda mais Ideli para negociar com o Congresso enquanto estiver no posto. Como Berzoini abrirá mão de disputar a reeleição para assumir o ministério na reta final do governo, Dilma assumiu o compromisso de mantê-lo no cargo em eventual segundo mandato.

Segundo um integrante do Planalto, Ideli já foi informada sobre a sua saída. Berzoini ocupou os ministérios da Previdência e do Trabalho na gestão de Lula (2003-2010).

PMDB. O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), da ala rebelde do partido, disse que a saída de Ideli será para agradar o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ). Cunha é o principal articulador do chamado “blocão” de insatisfeitos com o Palácio do Planalto.

“O Palácio não quis atender o PMDB da Câmara dando ministério, mas atendeu na retirada (da ministra Ideli). A saída de Ideli foi para agradar o líder, que não ia às reuniões com ela desde o início. É uma maneira de distensionar, de procurar o diálogo”, disse Lúcio.

O deputado afirmou ainda que, se Berzoini for confirmado, Cunha pode até voltar a frequentar as reuniões de líderes da base com o governo. O comandante da bancada do PMDB deixou de comparecer após a bancada decidir que não indicaria mais nomes para o ministério e teria posição independente na Câmara.

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