Em qualquer lugar, quem sempre paga a conta é o povo

O Brasil está com todos os seus problemas resolvidos...

iG Minas Gerais |

DUKE
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Em qualquer lugar do mundo, quem sempre paga a conta da incompetência, da safadeza, dos desatinos ou dos simples desacertos dos nossos “ilustres representantes” – sejam eles ditadores ou eleitos pelo voto popular – é o povo. O presidente Jacob Zuma, por exemplo, eleito pelo voto direto, é acusado, em relatório de 444 páginas do órgão de combate à corrupção na África do Sul, de se beneficiar indevidamente de uma reforma em sua residência no valor de US$ 23 milhões. A relação dos gastos incluiu, além de uma piscina que foi construída para funcionar como moderno equipamento anti-incêndio, sub-itens indispensáveis, como um curral, um galinheiro e um anfiteatro. O governo da África do Sul, um país de 52 milhões de habitantes, mas com 40% deles vivendo abaixo da linha de pobreza, está preocupado com as “alegações de inconveniência sobre a reforma”. Essa foi a expressão usada na nota oficial explicativa distribuída pelo governo. Mas Zuma é o favorito nas eleições de 7 de maio próximo. O nosso país, por sua vez, imbatível no quesito corrupção, consegue ser ainda pior. O Conselho de Administração da Petrobras, em 2006, então presidido pela presidente Dilma Rousseff, também eleita pelo voto direto, autorizou a compra, pela bagatela de US$ 360 milhões, de 50% da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), de propriedade da empresa belga Astra Oil, embora soubesse que os 100% tinham sido adquiridos pela mesma empresa, alguns meses antes, pela importância de US$ 42,5 milhões. E isso só aconteceu, leitor, porque o Brasil, um país de 200 milhões de habitantes, está com todos os seus problemas – referentes à saúde, à educação ou quaisquer outros – resolvidos pelo governo... O contrato desse negócio da China ainda continha duas belas cláusulas: uma garantia de rentabilidade mínima à Astra Oil; e a outra que obrigava a Petrobras a ficar com os restantes 50% da refinaria caso houvesse atrito entre as partes, coisa que, obviamente, ocorreu. O Conselho tentou descumprir essa segunda cláusula, mas a Astra Oil ingressou na Justiça do Texas. A condenação levou a Petrobras a pagar, pela outra metade da refinaria de Pasadena, a quantia de US$ 820 milhões. O total pago foi de quase US$ 1,2 bilhão! Mas Dilma Rousseff é a favorita, segundo as últimas pesquisas, nas eleições de 5 de outubro próximo. Para alguns “analistas”, sua reeleição são favas contadas. Tão contada que, contrariando o teor da nota redigida pela Petrobras, com o objetivo de dar alguma satisfação aos seus acionistas, afinal abortada por ela, a presidente declarou, em nota provavelmente do seu próprio punho, que a autorização para a compra da refinaria se deu com base em um resumo de informações técnico e juridicamente falho. Se soubesse disso, acrescentou, não teria aprovado o negócio. Donde se conclui que a responsabilidade pela aquisição cabe, unicamente, ao ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielle e aos ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto da Costa, sendo este, por coincidência, acusado e preso, há dias, por lavagem de dinheiro. As linhas acima estavam escritas desde a semana passada. Anteontem, ao relê-las, lembrei-me da entrevista da grande poeta Adélia Prado ao programa “Roda Viva”, na última segunda-feira. Uma entrevista que deveria ser obrigatoriamente ouvida, e com urgência, por todos os brasileiros, mas, sobretudo, pela presidente Dilma. Ou será que a presidente jamais a entenderia? Ora, leitor, depois do que fez, tudo é possível... 

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