Ano quase perdido

iG Minas Gerais |

O governador Antonio Anastasia deixará o governo no dia 4 de abril – ele deverá ser candidato do PSDB ao Senado, além de coordenar o programa de Aécio Neves na disputa pela Presidência. O último ato de seu governo será exonerar todos os secretários. Nove meses antes de o ano terminar, titulares vão deixar as pastas e abrir espaço para a acomodação de aliados do partido. Um mimo em ano eleitoral. O vice Alberto Pinto Coelho, quem governará o Estado de abril a dezembro, também terá direito a algumas indicações para satisfazer seus apadrinhados. Essa mudança geral, comum em administrações públicas em ano eleitoral, mostra o descompromisso com a gestão e com a continuidade de programas. Como O TEMPO mostrou com exclusividade na última semana, o Estado não cumpriu no ano passado a meta de redução de crimes violentos em nenhuma das 18 Regiões Integradas de Segurança Pública (Risp). Os crimes com arma de fogo subiram 27% na comparação de 2012 para 2013, enquanto a apreensão de armas caiu 2% no mesmo período. Na área da educação, o Estadual Central, um dos colégios mais tradicionais de Belo Horizonte, é um reflexo do abandono de várias outras escolas públicas. Os alunos são obrigados a levar papel higiênico de casa. Esses problemas, no entanto, parecem passar longe das salas de reunião da Cidade Administrativa neste ano. Lá, a preocupação é como agradar a todos os aliados na nova montagem do secretariado. Não interessam a formação nem a expertise na área, apenas a legenda. Veja o caso do setor de saúde, um dos mais importantes de qualquer governo e com problemas em Minas Gerais. Alexandre Silveira, ex-diretor do Dnit, deputado federal e ex-secretário de Gestão Metropolitana, assumiu a secretaria em 14 de janeiro deste ano, no lugar de Antônio Jorge. Dois meses e meio depois, Silveira, um nome já contestado para a área, deverá deixar a cadeira para dar a vez a outro aliado. Ou seja, o ano de 2014 em algumas pastas só começará a ser pensado de forma séria e com uma perspectiva de continuidade a partir de abril. A consequência desse desgoverno é refletida nos serviços. Um dos únicos centros públicos de atendimento exclusivo a menores usuários de drogas na capital estava em via de fechar as portas desde o fim do ano passado porque a Secretaria de Saúde não renovava o convênio. A instituição tem sua importância reconhecida pela Vara de Infância e Juventude, a qual encaminha adolescentes para tratamento, mas estava com o futuro incerto por falta de uma política pública no setor. No Brasil, é comum a choradeira dos políticos sobre o fato de quatro anos serem insuficientes para governar – essa, inclusive, é a alegação mais comum para a defesa da reeleição. Argumento contraditório, para quem abandona o barco, geralmente após o terceiro ano.

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