Expulsão de brasileira gera mobilização na França

Thais Moreira mora no país há cinco anos e recebeu anúncio de extradição ao regularizar situação

iG Minas Gerais |

Em 2013, parisienses protestaram contra deportação de romena
Francois Mori/ap - 17.10.2013
Em 2013, parisienses protestaram contra deportação de romena

Paris, França. O governo da França ordenou que uma estudante brasileira de 20 anos, radicada há cinco na periferia de Paris, seja expulsa do país em 30 dias. A ordem foi a resposta do Ministério do Interior ao seu pedido de regularização.

Thais Moreira, estudante de ensino técnico, não tinha autorização legal para viver na França, mesmo caso de sua mãe. Ao completar cinco anos de residência, a família pensou ter preenchido os requisitos da lei, mas a polícia pensa diferente.

Thais mora há cinco anos com seus irmãos e sua mãe – que chegou à França dois anos antes –, em Nogent-sur-Marne, a 15 km de Paris. Desde então, e como o resto da família, vive sem visto de permanência no país, obrigatório para brasileiros em caso de permanência superior a três meses na Europa. Isso não impediu que ela estudasse em escolas públicas e gratuitas, como autoriza a lei francesa.

Bem integrada à escola e à sua comunidade, decidiu solicitar no fim de fevereiro os documentos de estrangeira residente na França. A resposta veio há 20 dias, com um documento que dá 30 dias para ela sair do país. O problema é que a jovem retornou ao Brasil uma vez no período, quando também renovou o seu passaporte.

O processo de expulsão foi, por ora, interrompido, mas pode ser retomado após a análise do mérito, o que deve acontecer até 2 de abril. Para convencer as autoridades, uma manifestação foi realizada na terça-feira em frente à escola de Thais, com a presença de professores, pais de alunos, colegas de escola e autoridades públicas do município.

O caso tem potencial explosivo na França em meio às eleições municipais – o segundo turno acontece no domingo. Além disso, a situação de Thais lembra a de outra estudante, a romena Leonarda Dibrani, 14, extraditada com a sua família em 2013. O caso Leonarda gerou passeatas públicas em várias cidades da França e obrigou o presidente François Hollande a se pronunciar, autorizando seu retorno – mas não o de sua família.

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