Alô, amigos! A Copa do mundo está chegando

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |


A arara Eduardo, pai da protagonista Jade, é a novidade da sequência
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A arara Eduardo, pai da protagonista Jade, é a novidade da sequência

Samba? Check. Futebol? Check. Panorâmicas sobre o Cristo Redentor? Check. Números musicais carnavalescos? Check. Cenário selvagem com fauna e flora exóticas? Check. Se houver um checklist na Embratur dos pontos-chave a serem vendidos na publicidade pré-Copa, “Rio 2” não deve deixar nenhum quadrinho em branco. Pena que ele se esqueceu de uma história realmente empolgante para acompanhar o infomercial que lembra as animações ufanistas da Disney com o Zé Carioca nos anos 1950, como “Alô, Amigos” e “Você Já Foi à Bahia?”.

Sequência da animação de sucesso de 2011, o filme acompanha as araras azuis protagonistas Blu e Jade, agora casados e com três filhotes. Quando seus ex-donos, Túlio e Linda, descobrem outros exemplares da espécie na Amazônia, a família parte numa viagem rumo a suas origens. Lá, eles acabam reencontrando o pai de Jade, Eduardo, que não fica nada impressionado com os hábitos domesticados e urbanoides do marido da filha.

Qualquer semelhança não é mera coincidência. A fórmula é a mesma da série “Entrando numa Fria”, e o longa do diretor Carlos Saldanha reproduz a receita de forma até engraçadinha. A inspiração em si não é condenável, já que longas como “Toy Story 3” e “Frozen” utilizam-se de formatos estabelecidos para construir suas tramas. O problema é que, enquanto os longas da Disney subvertem os clichês, dando nova vida a essas fórmulas, “Rio 2” se contenta em seguí-las passo a passo, de forma óbvia e sem acrescentar nada de novo.

A falta de densidade dramática desse eixo central se reflete numa série de tramas paralelas que nunca dizem a que vieram, numa montagem paralela em que o suspense não é recompensado. A vingança de Nigel, vilão do último filme, é de uma infantilidade que deve irritar até mesmo as crianças. E a disputa com os desmatadores é uma tentativa de discurso político que só serve para criar um clímax de ação no final, sem trazer nada de novo à conversa.

Mas o maior sintoma da estrutura fraca da animação é o apelo a um número musical colorido e exótico a cada cinco minutos. As crianças devem adorar. Os adultos vão se cansar no segundo ou terceiro. O que fica é a mensagem implícita de que, nesse Brasil tipo exportação, quando as coisas não vão bem, é só começar a sambar.

Mais estreias

“Em Busca de Iara”. Documentário sobre a militante Iara Iavelberg, grande amor de Carlos |Lamarca, assassinada pela ditadura, contada por amigos e parentes.

“Tudo por Justiça”. O roteiro mescla gêneros como o filme de vingança, o drama familiar, o thriller e o drama social para contar a história da busca de um irmão pelo outro.

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