Amizade, traição e passagem do tempo

Paulo Vilhena compõe o time coeso do drama “Entre Nós”, de Paulo Morelli

iG Minas Gerais | Ludmila Azevedo |

Oportunidade. Vilhena quer fazer mais filmes
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Oportunidade. Vilhena quer fazer mais filmes

Paulo Vilhena diz estar no melhor momento de sua profissão. O ator de 35 anos, mais conhecido por seus papéis na televisão, é Gus, um dos sete personagens de “Entre Nós”, de Paulo Morelli, que chega hoje aos cinemas.

“Me sinto muito honrado de participar desse time porque são atores que admiro muito. Vivenciamos algo que ficará para sempre”, diz. Ao time somam-se Caio Blat, Maria Ribeiro, Carolina Dieckmann, Júlio Andrade, Marta Nowill e Lee Taylor. Nomes, como Vilhena, mais conhecidos da TV. Outros do teatro e do cinema.

Quando fala sobre a potência desse encontro, não há exagero. Além da imersão de 15 dias para dar unidade ao elenco, ele contracenou com amigos de longa data, um desejo do próprio diretor para criar uma ambientação interessante.

“Entre Nós” se passa em dois tempos e no mesmo lugar. Em 1992, o grupo de amigos, aos vinte e poucos anos, se reúne numa casa de campo na serra da Mantiqueira, onde entre textos autorais (a maioria aspira a carreira de escritor), juras de cumplicidade e sonhos escreve cartas que são enterradas.

Em 2002, esse passado vem à tona no cenário bucólico onde surgem conflitos provenientes de frustrações, além de uma revelação capaz de tirar as cores daquela pintura. Durante a trama, tal como a vida que segue, fica a pergunta de Cazé (Júlio Andrade): “Qual drama pode ser maior, o de não conseguir o que se deseja ou o de conseguir?”.

Gus é talvez o mais vulnerável dos sete. “A amizade é um tema que me comove muito. Eu já fiquei muito emocionado ao tomar conhecimento da história. Como ele tinha essa questão da derrota, eu precisava criar um alicerce para ele voltar àquele lugar. Por que se ele depois de dez anos ainda não gostasse daquelas pessoas, ele estava ferrado”, diz.

Se na primeira fase ele é mais solar, na seguinte não perde a ternura e o humor com o gosto amargo que a vida lhe deu. Com ele, Vilhena faz uma construção bastante sensível e rica, possível especialmente por se tratar de cinema. “O cinema é um tesão, é a menina dos olhos de todo ator. Ao receber um grande convite a gente quer parar o mundo para fazer. Só que tem duas questões: os convites não são tantos e sou funcionário da TV Globo. É difícil pedir liberação toda hora para entrar num projeto, apesar de existir a parceria”, explica Vilhena.

Mas “Entre Nós” nem deve ser considerado uma surpresa para o público mais cinéfilo e menos televisivo no que se refere ao talento do ator (e como ele, Carolina Dieckmann, invariavelmente mocinha ou vilã de novela, está muito bem como Lúcia). Ele já foi elogiado pelo gigante Paulo Autran, depois de uma crítica severa, em 2005.

“É algo que eu guardo no meu coração. Valeu eu ter ouvido aquela mensagem. Mudou muito porque além de ser o maior ator do Brasil, ele se tornou um mentor. Quando veio a crítica negativa, a gente mal se conhecia. Eu era novo demais e minhas respostas num programa de televisão do qual ele participaria não eram tão interessantes”, lembra.

Numa sessão teatral dupla, na Virada Cultural, Vilhena foi informado na coxia que Autran estava na plateia. “Não desprestigiando o público, mas o Paulo Autran ali me deu uma força que vinha, sei lá, dos deuses do Teatro”, diz. Com a elegância de sempre, o veterano reconheceu o futuro promissor do jovem.

O bom presságio de Autran serviu também para a telona. “Quando piso no palco ou vou fazer qualquer outro trabalho, ligo para ele, que está lá em cima, e falo: ‘Tamo junto, vamos nessa, você faz parte da minha história’”.

Uma história moldada com a versatilidade e sensibilidade artística, que não podem ser reduzidos ao clichê do rostinho bonito.

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