Intenção é alertar mundo para caos feito na Crimeia, diz idealizadora

Jornalista ucraniana Julia Savostina, que desenvolveu o o projeto, fez a declaração durante entrevista a reportagem de O TEMPO

iG Minas Gerais | Flávia Denise |

Jornalista e responsável pela criação do boicote sexual contra russos na ucrania
Arquivo pessoal
Jornalista e responsável pela criação do boicote sexual contra russos na ucrania

Um grupo de mulheres ucranianas começou nesta semana uma campanha em que negam sexo aos cidadãos russos em protesto contra a anexação da região autônoma da Crimeia por Moscou e o conflito com o governo ucraniano. O embargo sexual faz parte de um boicote maior feito por ucranianos contra produtos russos em geral.

A jornalista Julia Savostina que é responsável pela criação do boicote sexual das ucranianas contra os russos conversou com a reportagem de O TEMPO.

Como surgiu a ideia de negar sexo aos russos?

Essa iniciativa foi criada por um grupo de jornalistas e ativistas ucranianos, que acha que as pessoas de todo o mundo não entendem o que os soldados russos estão realmente fazendo na Crimeia. Quando começamos, certamente não tínhamos o objetivo de ofender os russos, mas fizemos essa declaração provocativa para chamar a atenção para o caos feito pelos russos na Crimeia: sequestro, limitação do direito dos tártaros, impedimento do trabalho adequado de jornalistas. Além disso, queríamos deixar claro que mulheres ucranianas preferem homens ucranianos! Sim, a ação foi bem provocativa, mas a situação atual do país exige uma solução igualmente provocativa.

Como os ucranianos estão reagindo à proposta? As mulheres estão evitando sexo com russos?

A questão não é um boicote sexual, a questão é  não dar à Rússia nosso país, nossa terra, nossa independência. A forma que encontramos de dizer isso foi com camisetas.

Alguns russos dizem que a Crimeia é russa. Como você responde a essa declaração?

Eu acho que os russos não aprenderam história no colégio e escutam muita propaganda pró-Putin.

Você se considera patriota?

Eu acho que você deve ter lido que nós - jornalistas, empresários, escritores e formadores de opinião - fazemos parte desse ato porque acreditamos em valores patrióticos e que acreditamos que, em um contexto de ocupação militar, não nos importamos mais que todos os homens são irmãos. O que a Rússia está fazendo com a Ucrânia é terrível, mas o mundo vê as ações russas através do prisma da propaganda pró-Putin. Nós precisamos gritar para o mundo que esse diálogo não pertence somente aos ministros e diplomatas, mas às pessoas comuns e aos jornalistas.

O lucro das vendas das camisetas da campanha será revertido ao Exército ucraniano. Eles precisam desse dinheiro?

Eles realmente precisam de mais dinheiro. Eles não têm o bastante.

 

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