PSB adere, e CPI já tem 27 nomes

Com esse número, já é possível instalar a investigação; oposição tentará criar grupo misto

iG Minas Gerais |

Articulação. Rodrigo Rolemberg e Alvaro Dias conversam sobre a melhor maneira de propor a CPI
Pedro França
Articulação. Rodrigo Rolemberg e Alvaro Dias conversam sobre a melhor maneira de propor a CPI

Brasília. O líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF), anunciou que a bancada do partido na Casa vai apoiar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. Com esse apoio, já há assinaturas suficientes para criar a CPI. Até ontem à noite, foram recolhidas 25 assinaturas, mas o total deve subir para 27 com os apoios dos socialistas Antonio Carlos Valadares (SE) e João Capiberibe (AP). Esse é o número mínimo necessário para instalar a investigação no Senado.

Ainda na noite de ontem, o vice-líder do PSDB na Casa, Alvaro Dias (PR), disse que iria protocolar um pedido concomitante de CPI no Senado com 29 nomes. Eles receberam apoios desde terça de integrantes da base aliada: Clésio Andrade (PMDB-MG), Eduardo Amorim (PSC-SE) e Sérgio Petecão (PSD-AC). Até o fechamento desta edição, o requerimento não havia sido protocolado.

A proposta de se fazer uma CPI sobre a estatal ganhou força depois que o “Estado de S. Paulo” revelou, na semana passada, que a presidente Dilma Rousseff (PT), quando presidia o Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor da compra de parte da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), com base em um resumo juridicamente “falho”. Dois anos atrás, a estatal concluiu a compra da refinaria e pagou ao todo US$ 1,18 bilhão por Pasadena, que, sete anos antes, havia sido negociada por US$ 42,5 milhões à ex-sócia belga.

Conforme revelou o jornal, o PSB, do pré-candidato à Presidência e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, firmou um acordo com o senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB, para propor uma investigação parlamentar sobre os negócios da estatal.

Ao defender a posição do partido, o líder do PSB disse que é preciso “jogar luz” e buscar a “transparência total” em todos os processos que envolvem a estatal. Para o socialista, as audiências públicas do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, apenas em abril, revelam que o governo não quer explicar logo o assunto. “Não há da parte do governo pressa em esclarecer esses episódios”, criticou.

Abafa. Mais cedo, o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), tentou convencer os parlamentares a não assinarem o requerimento de CPI. Para isso anunciou que a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vão participar de audiências públicas em comissões da Casa. Graça Foster vai comparecer no dia 8 de abril e, uma semana depois, será a vez de Edison Lobão. Costa disse que a ação da oposição é “eminentemente” eleitoral.

Câmara

Prazo. Uma semana após ir ao Senado, Graça Foster irá na Câmara para explicar as suspeitas de irregularidades na estatal a falar sobre o caso da empresa holandesa SBM Offshore.

Sem perdão

Aviso. Emissários do Planalto procuraram os líderes da base aliada no Senado e avisaram que barrar a CPI da Petrobras é prioridade do governo.

Ressalva. Os mensageiros frisaram que o governo não vai tolerar traições. Refém. Governistas já preveem que, caso a oposição consiga as assinaturas para instalar a comissão, caberá ao presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), segurar ou não a investigação. “Ficaremos na mão dele de novo”, diz um senador.

Divisão. Embora o presidente nacional do PSB tenha orientado a bancada do partido a assinar o requerimento da CPI, governistas avaliam que não há consenso entre eles.

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