Dono da madeireira Macal e mais quatro são indiciados por homicídio

Vítima era cunhado de Caus e foi assassinato com três tiros durante uma viagem com a mulher e o filho de 4 anos; um dos suspeitos ainda está foragido

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

O dono da madeireira Macal, Luís Antônio Caus, 50, e mais quatro homens foram indiciados, quase três anos depois, por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa de André Elias Ferreira, 40, assassinado em junho de 2011, com três tiros na BR-381, em Itatiaiuçu, na região Central de Minas Gerais.

“A investigação foi complexa e por isso demorou, devido a falta de provas sobre o mandante e os envolvidos. Mas agora a motivação e o crime já foram confirmados”, explicou o delegado Frederico Abelha da Delegacia de Polícia Civil de Homicídios do Barreiro.

De acordo com as investigações, a motivação para o homicídio foi uma disputa por patrimônio familiar. Ferreira era casado com a irmã de Caus, que o ajudava a manter a madeireira, na avenida Nossa Senhora do Carmo, que funcionava em um dos muitos imóveis da família. Ferreira chegou a trabalhar no local, mas depois de envolver com a dona mudou de emprego. Mesmo assim, conhecia bem o serviço e a movimentação financeira do local e percebeu que Caus estava desviando dinheiro. Ferreira começou então a alertar o sogro e a mulher.

O sogro, que já tinha passado toda a administração da madeireira para os filhos, resolveu cobrar mais caro o aluguel do imóvel, que antes era um preço irrisório. Para o crime ser planejado, o estopim para Caus foi o pai pegar o imóvel de volta, acabando com a madeireira. Quando o local foi colocado para aluguel, na placa pregada na frente do espaço constava o telefone de Ferreira para contato.

A raiva de Caus era tanta que ele resolveu contratar alguém para “dar um susto” no cunhado. Caus, então, entrou em contato com um amigo de São João del-Rei, Ivens José Lombardi, e pediu ajuda. Lombardi, por sua vez, conversou com João Alves Moreira Neto, porque sabia que ele conhecia quem poderia fazer o serviço. Neto sabia que Jeremias Eufrânio da Silva fazia este tipo de trabalho e falou com ele, que aceitou por R$ 10 mil.

Silva teria ido a Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde morava Ferreira, e ao constatar que se tratava de um condomínio fechado, no bairro Jardim Canadá, com câmeras de segurança, percebeu que não seria fácil matar o homem e pediu mais dinheiro para fazer o trabalho. A oferta subiu para R$ 20 mil e ele aceitou, mas convidou Pedro Carlos de Freitas Ferreira Alves para ajudá-lo.

Na data do crime (23 de junho), era um feriado e Ferreira iria viajar com a mulher e o filho de 4 anos para o Sul de Minas. Sabendo desse planejamento, Silva e Alves saíram de São João del-Rei de madrugada e chagaram em Nova Lima às 4 horas da manhã. A dupla ficou de campana em frente à casa de Ferreira. Quando ele saiu de carro com a família, foi seguido.

Em dado momento da viagem, Ferreira parou para que a família pudesse fazer um lanche no caminho. Estavam na BR-381, próximo a cidade de Itatiaiuçu. Depois de se alimentarem, a mulher de Ferreira entrou no banco do carona e ele foi colocar o filho no banco de trás. Foi aí que ouviu alguém chamá-lo pelo nome. Quando se virou, foi atingido por três tiros, sendo dois na cabeça e um no peito.

Depois do crime, a dupla voltou para São João del-Rei e lá dividiram os R$ 20 mil. No dia seguinte, Neto também recebeu R$ 5.000. Apenas Lombardi participou “por amizade” e não cobrou nada.

A polícia diz ainda não ter certeza de quem atirou, ainda mais porque os depoiemntos dos suspeitos divergem. Contudo, todos eles se colocam no crime em algum momento. Apenas Alves ainda não foi preso. Os outros quatro foram detidos nos dias 54 e cinco de fevereiro deste ano. Caus foi detido em casa, no bairro Belvedere, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

A polícia chegou nos suspeitos por meio do mandante Caus. Desde o crime, a mulher de Ferreira acusava o irmão de envolvimento. Partindo daí, a polícia conseguiu acesso à movimentação financeira dele e a quebra do sigilo telefônico. Inclusive, no dia do crime, tinha registro de ligação entre ele e Lombardi.

As investigações vão continuar, porque a polícia acredita que mais pessoas possam estar envolvidas neste assassinato. 

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