Delegado duvida de médicos e pede exumação de corpos de mãe e bebê

Segundo marido, dona de casa deveria passar por uma cesariana, mas médicos tentaram parto normal por cerca de três horas; Ministério Público acompanha o caso e profissionais devem ser ouvidos nesta quarta

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

Cidads: Ouro Fino MG: Familia suspeita de erro medico que levou a morte de mae e filho 
A familia  Grace Kelly Tavares Bazani, de 33 anos,) suspeita que as mortes dela e  de seu bebe logo apos o parto possam ter sido causadas por erro medico na Santa Casa da cidade de Ouro Fino MG.
Grace preparou um cha de bebe para comemorar a chegada do filho
 Credito: Facebook / Reproducao
Cidads: Ouro Fino MG: Familia suspeita de erro medico que levou a morte de mae e filho A familia Grace Kelly Tavares Bazani, de 33 anos,) suspeita que as mortes dela e de seu bebe logo apos o parto possam ter sido causadas por erro medico na Santa Casa da cidade de Ouro Fino MG. Grace preparou um cha de bebe para comemorar a chegada do filho Credito: Facebook / Reproducao

A alegria da chegada de um bebê em casa terminou de forma trágica para uma família de Ouro Fino, no Sul de Minas, após mãe e filho morrerem menos de quatro horas após o parto. O caso aconteceu no último fim de semana na Santa Casa da cidade e a possibilidade de um erro médico nõ está descartada. Para tentar esclarecer os fatos, o delegado responsável pelo caso pediu a exumação dos corpos das vítimas.

O marido da dona de casa Grace Kelly Tavares Bazani, de 33 anos, contou que a mulher estava com nove meses completo de gestação quando começou a passar mal, na noite desse sábado (22), durante a festa de aniversário do filho de 10 anos.

“Minha mulher começou a ter um corrimento por volta das 22h e fomos para o hospital. Quando chegamos à Santa Casa, o médico plantonista nos atendeu e, ao fazer o toque, disse que ela estava com 5 cm de dilatação e já estava em trabalho de parto. No entanto, o mesmo médico disse que não poderia realizar o nascimento do meu filho porque já tinha feito outro quatro partos”, contou Luís Fernando de Almeida Pereira.

Ainda na versão dele, às 23h30, o médico ligou para um outro profissional que estava em outra unidade de atendimento. Esse segundo médico chegou no hospital por volta das 03h30 de domingo (23).

“A Grace foi para sala de parto por volta de 02h37, antes da chegada desse médico. Ela já tinha estourado a bolsa e estava com 7 cm de dilatação. Minha esposa ficou até as 5h40 tentando o parto normal, inclusive com o uso do fórceps (equipamento que serve para auxiliar em caso de complicações no parto)”, disse.

Por volta das 6h, o médico informou à família que a criança, que receberia o nome de Giovanni, tinha morrido. Já a informação da morte da dona de casa chegou às 8h por causa de uma parada cardiorrespiratória.

“Pelo porte físico dela e o peso do bebê, que na última consulta estava com 4,2 kg e media 52 centímetros, não tinha como fazer parto normal e, sim, uma cesárea. Acho que ela fez muita força e não aguentou”, disse o viúvo.

O homem também contou que a médica responsável pelo acompanhamento do pré-natal da vítima, que foi feito em um posto de saúde, já havia avisado para a família que seria necessário a cesárea. Pereira contou que a mulher teve uma gravidez tranquila e não apresentava nenhum problema de saúde. Ela estava na terceira gestação e deixa uma filha de 17 anos e um filho de 10.

Após a morte de mãe e filho, os parentes foram buscar os documentos para a preparação do sepultamento e, segundo eles, a ficha de uma outra paciente de Jacutinga, na mesma região, estava no meio do prontuário de Grace.

“Não sei o que aquele documento foi fazer lá. Nessa terça-feira (25), fomos à delegacia da cidade e registramos uma ocorrência. Nós só queremos entender o que realmente aconteceu com a minha mulher e meu filho dentro do hospital. Desejamos saber por que o primeiro médico se recusou a fazer o parto e por qual motivo não optaram pela cesariana”, finalizou Pereira.

A reportagem de O TEMPO entrou em contato com a Santa Casa de Ouro Fino, mas foi informada que apenas a administradora do hospital, Dirce Freitas Garcia, pode comentar o caso. No entanto, ela não se encontrava na instituição e não atendeu as ligações realizadas para o seu celular.

Investigação

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Arthur Augusto Ribeiro da Silva, a família foi ouvida nessa terça e ele solicitou o prontuário médico de Grace e a lista de funcionários que trabalharam no plantão.

“Já foi instaurado um inquérito. Estamos aguardando a resposta foi juiz da comarca para saber se os corpos poderão ser exumados. O Ministério Público acompanha o caso e esperamos resolver a situação o mais rápido possível”, disse o delegado.

Silva ainda informou que os funcionários foram convidados a prestarem depoimento nesta quarta-feira (26). Segundo ele, a conduta dos profissionais no caso de Grace será investigada e, caso seja comprovada alguma falha ou irregularidade, os responsáveis podem responder por homicídio culposo, quando não há a intenção de matar. A pena varia de um a três anos de reclusão.

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