Movimento defende a beleza natural com os pelos no corpo

Ideia pode parecer estranha, mas até a cantora Madonna está entre adeptos

iG Minas Gerais | Raquel Sodré |

Natural. Brenda Santos, 19, que decidiu parar de se depilar conta que não está 100% satisfeita, mas se preocupa menos em ser julgada
douglas magno
Natural. Brenda Santos, 19, que decidiu parar de se depilar conta que não está 100% satisfeita, mas se preocupa menos em ser julgada

A depilação conquista cada vez mais adeptos, e até mesmo homens começam a inserir o tratamento em sua rotina de beleza. Mas um movimento artístico-social nada contra a corrente e propõe uma reflexão sobre a naturalidade dos pelos no corpo humano.

Artísticas e elaboradas fotos apresentam homens e mulheres orgulhosos de sua penugem. São barbas, cabelos e pelos de peitorais, barrigas, axilas e regiões pubianas mostrados como protagonistas dos ensaios fotográficos promovidos pelos autores do movimento Pelos Pelos. “É necessário pensar por que (os pelos) são geradores de tanto asco e por que nos mutilamos frequentemente para nos livrarmos deles”, declara o texto de apresentação no site do movimento.

O hábito da depilação está relacionado a questões como a beleza e o erotismo, explica a antropóloga Denise Costa, que pesquisa a beleza na sociedade moçambicana para seu doutorado na Universidade de Brasília (UnB).

“A moda dominante atual considera que os pelos das mulheres representam padrões de impureza, de sujeira. Nesse contexto, os pelos femininos agridem, sugerem ameaça, provocam reações de repulsa”, afirma. “Quando o projeto (Pelos Pelos) propõe a possibilidade de outra estética, almeja desconstruir uma concepção vigente”, analisa.

Aceitação. Ainda estranho para a maioria, o abandono do hábito da depilação tem conquistado adeptos. A cantora Madonna, por exemplo, causou polêmica nas redes sociais ao aparecer com a axila peluda em uma foto em seu Instagram recentemente.

A estudante de ciências sociais Brenda Santos, 19, também abandonou a extração de pelos. “Eu me depilava, mas nunca estava satisfeita porque tinha que fazê-lo constantemente. Entrando em contato com o feminismo, fui entendendo sobre autonomia da mulher para decidir o que fazer com o próprio corpo”, conta.

Sua decisão está longe de ser bem-aceita, até dentro da família. “Minha mãe viu meus pelos na axila e disse: ‘Brenda, o que é isso? Você tem que cuidar de si mesma, que coisa ridícula”, lembra. Mas a própria jovem está satisfeita com a naturalidade do corpo. “Ainda não gosto 100%, mas me preocupo muito menos com o juízo de valor que vão fazer de mim ou dos meus pelos ou das minhas gordurinhas. Sou mais feliz”, garante.

Para a antropóloga Denise, essa nova reflexão acerca dos pelos contribui para o avanço social. “Acredito que abrir espaços para outras estéticas, outras possibilidades de experiência corporal, permite tornar o mundo mais múltiplo. Projetos como Pelos Pelos são uma prova de que as coisas podem mudar”, diz.

Ensaios

Contato. O trabalho do movimento Pelos Pelos pode ser conferido no site pelospelos.com.br. Os interessados em participar de ensaios podem também entrar em contato com os autores.

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