Ibama alega que água que mina de rocha é da chuva

Em fevereiro de 2014, professora solicitou que órgão verificasse se a água que saía de uma rocha era indício de uma mina ou nascente

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Ibama disse que água que brota das rochas não indica existência de minas ou nascentes
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Ibama disse que água que brota das rochas não indica existência de minas ou nascentes

“Eu pedi para alguém do Ibama vir até aqui, mas não veio ninguém”. A reclamação é da professora Vânia Musse, 56. Em fevereiro de 2014, ela solicitou que o órgão ambiental fosse até a sua propriedade, em Alvorada, distrito de Carangola, para verificar se a água que saía de uma rocha – que seria detonada para instalação do mineroduto – era indício de uma mina ou nascente.

Por meio da assessoria de imprensa, o Ibama, que é o responsável pelo licenciamento do mineroduto, explica que a água mina porque a rocha é menos permeável que o solo. “Assim, a rocha acaba sendo uma barreira à passagem da água proveniente da infiltração das chuvas nas redondezas. Não se pode falar em nascente, simplesmente a água começou a minar porque escavou-se a área e havia um gradiente para saída dessa água”, justifica o Ibama. Ainda por meio de nota, o órgão ambiental informa “que a proprietária entrou em contato com o Ibama para tratar do assunto, e foi explicado o contexto hidrogeológico da água no local”.

“Por telefone, o Ibama me explicou que aquela água era normal, que podia ser acúmulo de água da chuva. Para mim, ‘leigamente’ falando, poderia ser de uma possível mina ou ter ligação com a mina já existente, ou seja, um lençol freático desprotegido. Por isso, pedi à Anglo American um laudo técnico completo sobre a água aflorada próxima ao curral. Não tive retorno e novas detonações continuaram a ser feitas. Se o Ibama fala que é água de chuva, gostaria que me enviasse um documento para comprovar”, questiona Vânia.

Segundo ela, mesmo havendo estudos prévios, houve mudança no traçado original do mineroduto, o que aumenta a chance de algo não ter sido contemplado nesses levantamentos. A mudança foi feita a pedido da família para preservar um córrego. “Mesmo existindo um estudo para liberar o licenciamento, eles deveriam ter vindo aqui, porque, como houve essa mudança no traçado, algo novo pode ter aparecido”, afirma Vânia. O Ibama informa que fez vistoria na área no final de outubro de 2013 e já havia feito outras, em momentos anteriores.

Explosão

A rocha em questão foi detonada no último dia 11 de fevereiro. Desde então, segundo Vânia Musse, cerca de outras dez detonações aconteceram. A proprietária da fazenda Santa Cruz também solicitou a presença de um técnico da Anglo. “No dia da primeira detonação, não veio ninguém. No sábado de Carnaval, um técnico veio e disse que aquilo era normal. Eu pedi para ele assinar um documento afirmando que não havia possibilidade de aquela água ser uma nascente, mas ele disse que isso ele não poderia fazer”, conta Vânia.

A Anglo, afirma que “sempre realiza análises técnicas e não foi verificada existência de nascentes no local das detonações”, diz, em nota. “Além disso, a empresa ressalta que a execução de todas as atividades realizadas ao longo do mineroduto do Projeto Minas-Rio está de acordo com as condicionantes ambientais da licença de instalação do empreendimento”, completa a mineradora, por meio de nota.

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