Um escândalo bilionário

iG Minas Gerais |

O Brasil foi um país distraído, mas atualmente muitos o consideram grande e bobo, além de corrupto, o que é pior. Creio que muita gente já ouviu falar em Pasadena, cidade americana do Estado do Texas. Mas quero falar da Operação Pasadena, negociata da Petrobras no desgoverno do ex-Luiz, que vai causar um prejuízo de até US$1 bilhão à Petrobras e seus acionistas. O caso está sendo investigado pelo TCU e tem tudo para se transformar em ação judicial em Nova York, movida por investigadores internacionais. O Ministério Público Federal já estuda a instauração de um processo de investigação, ante os fortes indícios de superfaturamento na maioria dos contratos firmados na gestão de Gabrielli, cujo prejuízo está estimado em R$10 bilhões. Os maiores alvos de superfaturamento que o MPF vai investigar são os contratos que envolvem a Refinaria Abreu e Lima (Rnest/PE), o Comperj, de Itaboraí, e os também questionáveis projetos de refinarias premium do Ceará e do Maranhão. Também, e principalmente, a lesiva compra de uma refinaria tecnologicamente ultrapassada em Pasadena, no Texas, e o escândalo Gemini – uma sociedade por meio da qual o governo brasileiro entregou o cartório de produção e comercialização de gás natural liquefeito (GNL) a uma transnacional dos Estados Unidos. Essa última transação foi uma negociata fechada em 2006, gestão de Gabrielli, quando a hoje presidente Dilma era chefe da Casa Civil do ex-Luiz e presidente do CA da Petrobrás. Dilma teve de engolir a operação, com a qual, parece, não concordava, o que posteriormente motivou a substituição de Gabrielli por Graça Foster. Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou a Pasadena Refining System Inc. por US$ 42,5 milhões. Em 2006, os belgas venderam 50% das ações da empresa para a Petrobras por US$ 360 milhões. A refinaria não tinha condições de processar o pesado petróleo brasileiro e, aí, brasileiros e belgas firmaram um contrato para dividir o empreendimento de US$ 1,5 bilhão, ajustando numa cláusula contratual que, se houvesse distrato, uma das partes teria de reembolsar a outra. Pois bem, em 2008, houve o desentendimento, e os belgas acionaram a Petrobras a pagar US$ 700 milhões. Perdendo a causa, a Petrobras se viu obrigada a torrar, bem torrado, US$ 700 milhões. Mais isso e aquilo e mais custas, US$ 839 milhões para assumir o controle da já maldita Pasadena. Colocada à venda na gestão Graça Foster, para se livrar do mico, uma única e ridícula oferta foi feita pela transnacional Valero, sediada nos EUA: US$ 180 milhões. Assim, a Petrobras levará um ferro de quase US$ 1 bilhão. E vai ficar assim? Papa Chico vem aí, quem sabe um milagre, né... Este artigo foi publicado aqui em 24.4.2013 e volta hoje a ocupar este espaço porque constatei que da mesma forma que o ex-Luiz nunca sabe de nada, dona Dilma, que ganhava da Petrobras mais de R$ 76 mil por mês como presidente do Conselho de Administração, parece que assina documentos sem ler, visto que autorizou essa operação sem conhecer todo o conteúdo do contrato.

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