Conte até dez II

iG Minas Gerais |

Bosch/Divulgação
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Recentemente, abordamos neste espaço problemas graves a que todos aqueles que se expõe ao trânsito estão sujeitos: a violência ao volante. O que pode resultar em acaloradas discussões e, muitas vezes, em brigas entre estranhos, cujas reações são imprevisíveis, chegando até a agressão fatal, como foi relatado na ocasião. Assim, nasce um personagem abominável, o inimigo oculto. Aquele que potencializa os problemas e frustrações de sua vida e, em uma fração de segundo, coloca tudo a perder por ter recebido uma fechada ou ter negado seu direito a preferência em um cruzamento. Assunto polêmico, que não se esgota em um ou dois comentários, e, mesmo seguindo as dicas sugeridas naquela oportunidade, não é tarefa fácil manter-se controlado quando provocado. Entre algumas manifestações recebidas através de e-mails que nos foram enviados, destacamos a do empresário Cristiano Palhares. Praticante de mountain bike nos fins de semana, ele protesta pela grande falta de respeito aos poucos ciclistas que se aventuram a circular nas faixas exclusivas para essa finalidade. “Lendo sua coluna de algumas semanas atrás sobre as reações dos motoristas no trânsito, me lembrei daqueles que gostam de fazer uso da bicicleta. O desrespeito é flagrante nos poucos espaços destinados às bicicletas. Quando as ciclovias não estão invadidas pelos automóveis, esses andam muito próximo à faixa, colocando em risco a integridade física do ciclista. Independentemente da polêmica sobre a viabilidade ou não desses espaços reservados, se eles estão lá é preciso que tenham legitimidade e reconhecimento e que passem a ser parte integrantes do contexto onde andam os carros e transeuntes”, desabafa Palhares, que completa lembrando que, se é complicada a situação do usuário de bike onde existe ciclovia, nos lugares nos quais não são contemplados esses espaço eles são ainda mais oprimidos, sobretudo e principalmente pelos motoristas de ônibus. No encerramento de sua missiva, Cristiano ainda nos recorda de uma cartilha elaborada pela Fifa com vistas à Copa do Mundo, em que foram publicadas “informações” que pretendem avisar o desavisado turista sobre os hábitos do anfitrião brasileiro. Com o título “A lei de sobrevivência dos mais fortes”, a quinta dica da citada cartilha tem texto curto, grosso, e infelizmente, verdadeiro, quando diz que “nas ruas, os pedestres são ignorados e, mesmo na faixa de pedestres, raramente um motorista vai parar”. Difícil, mas necessário reconhecer que é a mais pura verdade. Contudo, nunca é demais relembrar que está determinado desde 1998, quando passou a valer as normas estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas. Onde houver semáforos de controle de passagem, será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança no sinal. E, por fim, quem desrespeita a lei e deixa de dar preferência ao pedestre que esteja na faixa comete infração gravíssima, de acordo com o artigo 214, e o condutor flagrado está sujeito a multa. Agora, quanto à fiscalização dessa modalidade de infração, aí são outros quinhentos.

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