Arquitetura como dispositivo indagador do tempo e do espaço

Exposição “Arquitetura Temporã” reúne instalação, esculturas e fotos da artista Lais Myrrha

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Uma das fotos de construção da série “Estados Intermediários”
lais myrrha / divulgação
Uma das fotos de construção da série “Estados Intermediários”

Depois de oito anos sem expor em Belo Horizonte, a artista plástica Lais Myrrha volta à sua terra natal com a contestadora exposição “Arquitetura Temporã”, que reúne instalação, esculturas e fotografias na galeria Manoel Macedo Arte, até o dia 26 de abril. Na abertura, que acontece hoje, às 19h, ela aproveita para lançar o livro “Breve Cronografia dos Desmanches”.

Para a mostra, Lais selecionou obras que revelam seu interesse em relação à ideia de tempo. “Acho que é uma invenção humana da cultura ocidental muito estudada, mas é um conceito frágil como o de progresso e de evolução”, opina a artista.

É nessa vulnerabilidade que o trabalho de Lais se concentra. Ela mostra projetos arquitetônicos em um estágio intermediário: “ainda não é ou está prestes a deixar de ser arquitetura”, diz. Dessa forma, as peças expressam o caráter provisório das edificações e, assim, da própria concepção de tempo. “Trouxe a dimensão da arquitetura para expressar um pouco da impermanência das coisas em relação à outras”, comenta a artista.

Entre as obras que exprimem essa ideia está “Equivalência Provisória”, composta por sete esculturas que formam uma instalação, e “Sobre o Passo da História”. Completam a exposição, três séries fotográficas intituladas “Estados Intermediários”, que foram resgatadas do arquivo pessoal da artista. “São fotografias que fiz alguns anos atrás, mas, até então não tive oportunidade para exibi-las”, diz.

As imagens, distribuídas tanto na parte inferior quanto na superior da galeria, revelam a destruição por meio de demolições, intencionais ou não, em ambientes urbanos. “Quero mostrar o caráter simbólico impregnado nestas construções. Quando elas são demolidas, não só o cenário físico é influenciado, mas também a forma com que as pessoas enxergam o local. Isso não é necessariamente pessimista, pode ser uma abertura para um novo caminho”, afirma a artista.

As mesmas fotos da exposição fazem parte do livro “Breve Cronografia dos Desmanches”, que representa a metamorfose por qual as cidades passam nos últimos tempos e seus desdobramentos. “O sucateamento de imóveis acontece em diversas formas, por descuido, falta de conhecimento. Esses fatos estão presentes no livro”, diz Lais.

Agenda

O quê. Exposição “Arquitetura Temporã”

Quando. Até o dia 26 de abril

Onde. Galeria Manoel Macedo Arte (rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates)

Quanto. Entrada franca

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