Olhares brasileiros em foco

Quarta edição do festival de Fotografia de Tiradentes ocupa espaços da cidade histórica com arte produzida no país

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Exposição. “Plenitude”, da mineira Manu Melo Franco, acompanha o cotidiano de Tomé, filho da artista, na Chapada Diamantina, na Bahia. Movida pelo desejo de trocar a vida na cidade grande pelo campo, ela se mudou com a família para o local e registra com a câmera do celular a infância do filho em meio à natureza. Geórgia Quintas assina a curadoria.
MANU MELO FRANCO
Exposição. “Plenitude”, da mineira Manu Melo Franco, acompanha o cotidiano de Tomé, filho da artista, na Chapada Diamantina, na Bahia. Movida pelo desejo de trocar a vida na cidade grande pelo campo, ela se mudou com a família para o local e registra com a câmera do celular a infância do filho em meio à natureza. Geórgia Quintas assina a curadoria.

Um panorama do melhor da fotografia autoral produzida no Brasil é o que a quarta edição do festival de Fotografia de Tiradentes pretende mostrar. Entre exposições, palestras, workshops e lançamentos de livros, o evento que começa hoje transforma espaços da pacata cidade mineira em galerias e locais para se discutir a produção fotográfica no país

Segundo o coordenador do festival, Eugênio Sávio, ele está cada vez mais incorporado ao calendário da cidade – que conta com outros importantes eventos artísticos, como a Mostra de Cinema e o Festival de Cultura e Gastronomia.

“Ainda estamos começando, mas já crescemos muito. Acho que a gente aprendeu apanhando. Sem muita modéstia, somos talvez o mais importante festival que lida com fotografia brasileira, comparável ao de Parati”, diz Sávio. “A diferença é que nós nos voltamos mais a descobrir o que o Brasil produz, enquanto o evento de lá é internacional, foca principalmente na América Latina”, explica ele.

Entre a vasta programação, Sávio destaca a exposição “Em Desencanto”, uma reflexão sobre a produção mineira. Os curadores são os fotógrafos Pedro David e João Castilho, que propõem um passeio por trabalhos de 20 artistas do Estado sobre temas variados. Participam da exposição coletiva nomes como Élcio Paraíso, Henrique Gualtieri, Paula Huven e Roberto Bellini.

“Hoje, percebo Minas em uma posição favorável em relação ao Brasil. Depois de artistas como o João e o Pedro David, além do Pedro Motta, que já ganharam reconhecimento internacional, temos agora uma geração com um trabalho muito consistente, que vem recebendo atenção”, diz o coordenador.

O festival também traz indagações contemporâneas em relação à fotografia, como a respeito de formatos e propostas. Assim, expõe, também, obras tridimensionais, em vídeo e performances. “Discutir esses limites dentro da arte é interessante”, afirma Sávio. Entre esses trabalhos está a exposição “Plenitude”, de Manu Melo Franco, composta por registros feitos com a câmera do celular.

Além do sangue novo, veteranos da fotografia também serão homenageados no festival. Um deles é o mineiro Assis Horta, 96, que ganhou a exposição “A Democratização do Retrato Fotográfico através da CLT”, em que figuram retratos de trabalhadores feitos entre as décadas de 1940 e 1970, organizados por Guilherme Horta.

Ainda na esteira dos mais experientes está o cineasta Jorge Bodanzy. A série “Brasília”, do acervo do Instituto Moreira Salles, foi feita no período inicial da ditadura militar no Brasil e recupera desde passeatas de estudantes, o princípio da Universidade de Brasília (UnB), até o cotidiano da cidade, ainda em processo de construção.

Agenda O quê. 4º Festival de Fotografia de Tiradentes

Quando. De hoje a domingo

Onde. Tiradentes

Quanto. Entrada gratuita

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